Publicado em 07.04.2006
A falta de manutenção das escadarias do Córrego do Jenipapo, comunidade localizada na Zona Norte do Recife, tem causado problemas de acesso aos moradores. A denúncia foi feita pela equipe do projeto Rádio do Povo, da Rádio Jornal. Raimunda Ferreira de Lima, que reside há mais de 30 anos na comunidade, é uma das pessoas que têm se sentido prejudicadas por conta das escadas quebradas. Ela, que mora no Alto dos Três Morros, precisa subir mais de 25 metros de escadas quebradas para chegar à sua casa. “Eu fiz uma cirurgia no tornozelo e passei vários dias sem poder sair de casa. Até hoje eu não desço esses degraus sozinha. A gente sofre, os batentes são muito altos. Já caí aqui várias vezes”, lamentou.
Outra moradora que sofre na pele os problemas causados pela falta de manutenção das escadarias é Angelita Carlos, que mora no bairro há 15 anos. “Quando chove eu fico com muito medo de sair de casa. Eu fiquei a semana passada inteira sem sair da minha residência temendo que acontecesse algum acidente”, contou.
O diretor de manutenção urbana da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), Antônio Ubaldo, garantiu que as escadarias do Córrego do Jenipapo estão incluídas no orçamento do órgão. “O processo licitatório para definir que empresa executará as obras já está em fase de conclusão. Dentro de 15 dias teremos essa resposta e poderemos dizer quando as obras começarão”, garantiu.
Segundo a presidente do Conselho de Moradores do Córrego do Jenipapo, Iranete Amorim, outro grave problema que atinge a comunidade é a falta de manutenção nas encostas dos morros. De acordo com Iranete, os moradores estão tirando dinheiro do próprio bolso para construir calhas, já que os técnicos da Coordenadoria de Defesa Civil do Recife (Codecir) só realizam ações paliativas. “A Codecir vem e coloca as lonas, mas elas racham, não duram dois dias de sol. O ideal seria que a URB (Empresa de Urbanização do Recife) viesse e construísse muros de arrimo”, revelou.
O presidente da URB, Amir Schvartz, afirmou que as obras de construção de muros de arrimo são definidas, prioritariamente, pelo processo de orçamento participativo. “Mas a gente também capta recursos com o Orçamento das Cidades. A Codecir define as áreas de alto risco e a gente tenta chegar a um consenso quanto à execução dessas obras”, completou.
No entanto, a líder comunitária afirma que o orçamento participativo não está sendo feito da forma ideal. “As comunidades são avisadas em cima da hora sobre as datas das reuniões. Não participamos da reunião que aconteceu anteontem porque ficamos indignados com isso”, denunciou.
O coordenador de Orçamento Participativo da RPA-3, que abrange o Córrego do Jenipapo, Maurílio Muniz, se defende. “Definimos as datas das reuniões no fechamento do ciclo do orçamento participativo no último dia 30, mas a comunidade já estava de sobreaviso desde o último fórum do projeto, realizado há quase um mês. As reuniões para discutir os problemas dessa área serão no próximo dia 17 e a comunidade tem até esse dia para se organizar e participar”, argumenta.