Publicado em 17.02.2006
Algumas famílias tiveram casas destruídas, nos últimos três anos. Agora, os moradores se sentem ameaçados com a aproximação do inverno
Moradores da comunidade Lagoa Encantada, no Ibura, convivem com o perigo no quintal de casa. A ameaça de desabamento de barreiras que já cederam nos últimos três anos – invadindo as residências – aumenta o medo. O projeto Rádio do Povo esteve no local, esta semana, e verificou a situação: a comunidade pede solução definitiva à Prefeitura do Recife, que já realizou alguns reparos, que, para as famílias atingidas, são paliativos.
A construção de muros de arrimo e outras obras de proteção de encostas lideram a lista de prioridades dos que vivem na Lagoa Encantada. Nos últimos três anos, pelo menos oito barreiras desabaram, destruindo quatro casas. Outros 15 pontos de risco estão ameaçados de desmoronar. O quadro mais grave é o das ruas Dr. Benigno Jordão de Vasconcelos, Dr. Paulo de Biase e Empresário Ernesto Lundgren, onde algumas casas estão virando ruínas, cujos moradores foram removidos. Mesmo recebendo o auxílio-moradia da prefeitura, eles querem voltar a viver nas casas próprias.
Os moradores reclamam da atuação dos técnicos da Comissão de Defesa Civil do Recife (Codecir), que “não apresentam solução definitiva”. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores da Lagoa Encantada, Sílvio Lucena, o jogo do empurra entre os órgãos da prefeitura impede ações eficazes. “Fazem reuniões, vistorias e orçamento, mas nada muda”, conta. Na Rua Maria Cunha, Israel Nascimento lamenta o estado em que se encontra a residência da família e das casas vizinhas. Grande barreira, bastante castigada pela erosão, derrubou parte dos imóveis, há três anos, e os moradores foram retirados. Um desabamento ainda maior, contudo, pode ocorrer no inverno. “Vivemos de aluguel, mas queremos nossas casas, que estão sendo depredadas por vândalos. E ainda somos obrigados a pagar IPTU”, queixa-se. Na Rua Dr. Benigno Jordão, Sidney Barbosa está sem quintal, já que parte da barreira desabou no ano passado. “As casas da invasão acima jogam a queda d’água para cá, e estamos ameaçados”, salienta.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a Codecir monitora 186 pontos de risco no local, a fim de realizar medidas de emergência. A construção de muros de arrimo, no entanto, deve ser definida com a equipe do Orçamento Participativo. Em resposta aos moradores do auxílio-moradia, o órgão informa que as unidades de morro da zona norte estão sendo beneficiadas com reforma ou construções, sendo a zona sul beneficiada na próxima etapa. Nas próximas duas semanas não haverá o programa Rádio do Povo.