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Psicodelia revisitada no Molotov

Julho 10, 2008

Publicado em 22.08.2006

CONCEIÇÃO GAMA

Júpiter Maçã, cantor e compositor gaúcho que se apresenta no Recife em 1º de setembro, dia de abertura do festival Coquetel Molotov, é um exemplo de artista que reinventa a carreira a cada novo álbum. Já se passaram oito anos desde a última vez que o gaúcho Flávio Basso, mais conhecido como Júpiter Maçã (junção do apelido de seu avô com o nome da gravadora dos Beatles), esteve por aqui, com seus famosos terninhos mod, para um show no festival Abril Pro Rock. Agora, a psicodelia efervescente de Júpiter Maçã está de volta para um show que promete ser histórico.

JORNAL DO COMMERCIO – Você foi o artista mais votado na comunidade do Orkut para entrar na programação do Festival Coquetel Molotov. Como você se sente em saber que tem tantos fãs em Pernambuco?
JÚPITER MAÇÃ
– Sério? Eu não estava sabendo disso! Que bacana!!! Ah, eu acho que isso de repente se dá por uma identificação quase telepática que transcende as distâncias geográficas… As pessoas que gostam de música psicodélica têm muito disso. Eu me sinto lisonjeado e muito gratificado por as pessoas lembrarem o meu nome.
JC – Você é um artista conhecido por gravar todos os instrumentos e vozes dos seus discos. Como será o show? Quem vai acompanhá-lo?

JM – Com esse meu último disco, a coisa foi um pouco diferente. Os músicos que me acompanham gravaram algumas coisas comigo também. Para essa turnê, estão tocando comigo Eduardo Dolzan (bateria), Ray-Z (guitarra), Cabelo (baixo) e Talitha Freitas (percussão e back vocals). Eles também vão me acompanhar para o show do Coquetel Molotov.
JC – O repertório do show que você fará no Recife será baseado no seu último álbum ou uma retrospectiva da sua carreira?

JM – Vou tirar material dos meus quatro discos, mas vou ser mais enfático no último mesmo. Ah, também vou mostrar coisas inéditas! Tem um disco meu que está para sair por uma gravadora espanhola, a Elephant Records, chamado Una tarde en la frutería. Ele tem previsão de lançamento para outubro.
JC – Vai ser lançado no Brasil também?

JM – Eu gostaria, mas ainda não sei… Ah, eu também pretendo recatalogar meus três primeiros discos, mas isso é outra história sem definição de data nenhuma ainda. E pra lançar o Una tarde en la frutería aqui eu vou traduzir o nome para Uma tarde na fruteira.
JC – E as músicas vão ser em português ou espanhol?

JM – Não, é tudo em português! Só o título que está em espanhol mesmo. Mas eu pretendo depois fazer umas coisas em espanhol, sei lá… A língua espanhola soa bem pra mim.

JC – Você já compôs em português, fez dois discos todos em inglês e atualmente flerta com o francês nas músicas novas. Por que essa ânsia por mistura de línguas? Qual vai ser o próximo idioma?

JM – (risos) Ah, provavelmente o espanhol mesmo! (risos) Mas isso é uma coisa natural… Surge na hora da composição mesmo. Por exemplo, foi assim com a Mademoiselle Marchand (música que fará parte do novo álbum de Júpiter, com letra em português e refrão em francês). Todo compositor tem um filminho branco na cabeça prestes a ser feito. Todo ele quer ter a sua… Satisfaction, sabe? Eu gostaria de ter a minha Michelle, ou Ma Belle… (NR – O autor se refere à música dos Beatles, cujo refrão é Michelle, ma belle). Isso do francês foi uma pitada na hora da inspiração. Na minha cabeça, ficou muito bonito o refrão de Mademoiselle Marchand em francês, aí eu deixei.
JC – Como você definiria a fase atual da sua carreira? Mudou muita coisa desde a última vez que você tocou no Recife?

JM – Ah, sim, com certeza… Quando foi que eu toquei no Recife? 1998? Nossa, faz muito tempo! Nesses oito anos, com certeza mudaram algumas coisas. Mas assim, mudaram e não mudaram. A essência em si não mudou. O lance foi que eu fiquei mais experiente como músico.

JC – Os personagens das suas músicas, como Walter Victor e Miss Lexotan, são reais?

JM – Hum… Eu diria que eles são misturas de várias realidades. Gente que eu conheço e que eu invento também. E não é só o Walter Victor e a Miss Lexotan 6mg. Tem também a Mademoiselle Marchand e a própria Síndrome de Pânico.
JC – Como vai ser o show do Coquetel Molotov? Você está preparando alguma surpresa?

JM – (risos) Surpresa? Hum… Na realidade não. Mas eu estou ansioso! Quero ser surpreendido pelo público pra gente fazer um show bacana. E acho que vou ser.

Multiinstrumentista é referência do rock gaúcho
Publicado em 22.08.2006

Júpiter Maçã, multiinstrumentista, compositor e cineasta, que integrou importantes bandas de rock gaúcho do início dos anos 90, como TNT e Cascavellettes, quando veio ao Recife pela primeira vez, em 1998, havia gravado apenas um álbum, o cultuadíssimo A sétima efervescência, lançado pela Acit/Antídoto em 1996. Fazem parte do disco hits como Walter Victor (tomador de panca!), Querida SuperHist x Mr. Frog, As tortas e As cucas, Lugar do caralho (regravada em 1997 por Wander Wildner em seu primeiro disco solo, Baladas sangrentas, e cuja autoria é por vezes inexplicavelmente atribuída a Raul Seixas) e Miss Lexotan 6mg (regravada pelos paulistas da Ira! em 1998, no álbum Você não sabe quem eu sou).

De lá para cá, muita coisa aconteceu na carreira de Júpiter. Ele adotou o novo alter-ego Jupiter Apple e lançou pela Trama o bossa-jazzy Plastic Soda (1999), todo com composições em inglês. O álbum foi premiado no ano seguinte com troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), além de ter recebido elogios de personalidades da música como Tom Zé, Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sean Lennon.

Em 2001, Jupiter fez sua estréia como cineasta e ator, com o média-metragem The apartment Jazz, uma divagação poética com loops visuais acerca das reflexões de dois homens sobre água pesada e filmes e livros em andamento e suas aventuras amorosas com garotas paranóicas. O filme rendeu a Júpiter uma premiação na categoria Contribuição Artística no Festival Livre Olhar, de Porto Alegre, em 2003.

Ainda em 2001, Jupiter lançou Hisscivilization (Nolandman/Voiceprint, com distribuição da Barulhinho), álbum que é uma perfeita trilha sonora para filmes de ficção científica. Utilizando cítaras e moogs, Jupiter fez um experimentalismo com referências ao rock de Manchester, ao concretismo alemão, às canções jazzy de cabarés franceses e alemães, à fase Beach Boys de Pet Sounds e Smile Smiley (1966 e 1967) e à movimentos de MPB, como a Bossa Nova e o Tropicalismo. As letras em inglês desobedecem à gramática inglesa e recriam um dialeto inovador. No álbum, Jupiter deixou de lado o trabalho de gravar todos os instrumentos e vozes das canções sozinho e contou com a ajuda de uma banda que o acompanha nas turnês até hoje.

Em 2003, Jupiter Apple lançou uma videoretrospectiva de sua carreira intitulada Pescando Jupiter segundo Huxley, com imagens raras de shows extraídas de seu arquivo pessoal, videoclipes e o filme The apartment Jazz.

Até o fim do ano, o agora novamente Júpiter Maçã (que deixou de lado o outro alter-ego Jupiter Apple – vamos rezar para que no futuro ele não dê uma de Prince e adote símbolos como seu nome) pretende lançar a esperada seqüência d’A Sétima Efervescência, um disco em português com toques de francês. As novas canções, entre as quais estão Mademoiselle Marchand e Síndrome de pânico podem ser conferidas nos show e estão disponíveis para download na página do artista no site da Trama Virtual.

Concurso vai premiar frevo com R$ 30 mil

Julho 9, 2008

Publicado em 23.08.2006

 

Em comemoração ao centenário do frevo, a Prefeitura do Recife vai pagar premiação gorda
CONCEIÇÃO GAMA

O prefeito do Recife, João Paulo, anunciou ontem as modificações para o Concurso de Música Carnavalesca Pernambucana 2006/2007, realizado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, através da Secretaria de Cultura. A principal novidade diz respeito à premiação dos vencedores, que receberão até R$ 30 mil em dinheiro.

 

As premiações serão divididas em cinco categorias: frevo de bloco, frevo de rua, frevo canção, caboclinho e maracatu. O prêmio de R$ 30 mil vai para o primeiro lugar de cada categoria. O segundo lugar ganha R$ 10 mil e o terceiro, R$ 5 mil. Há premiações, ainda, para os melhores arranjadores e intérpretes, que ganharão R$ 5 mil cada. No último concurso, as premiações em dinheiro eram simbólicas. O melhor compositor, por exemplo, ganhava R$ 500.

Segundo João Paulo, as mudanças foram impulsionadas, sobretudo, pelas comemorações do centenário do frevo, que acontece no próximo ano. “2007 será um ano muito especial em nossa cidade. Sempre achei que a premiação do concurso deveria melhorar. Nada mais oportuno do que esta data para pôr as mudanças em prática e valorizar ainda mais essa manifestação da cultura pernambucana que é o frevo”, afirmou.

O concurso, que tem âmbito nacional, é composto por um festival com apresentações ao vivo e pela gravação de um CD. Uma comissão julgadora composta por cinco membros selecionará 30 músicas que serão apresentadas no festival, marcado para os dias 24 e 25 de novembro. Nessa fase serão escolhidas as 15 músicas que farão parte do CD, que tem prensagem prevista para dezembro. O lançamento do álbum, juntamente com a premiação dos vencedores, será realizada no início de fevereiro de 2007.

As músicas inscritas no concurso deverão ser, obrigatoriamente, inéditas. Os interessados em participar podem inscrever seus trabalhos até o dia 22 de setembro na Gerência de Música da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, na Casa do Carnaval ou no Teatro do Parque. Os compositores residentes em outros estados deverão enviar material por Sedex para a Gerência Operacional de Música, situada na Av. Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife, Recife, Pernambuco, CEP: 50.030-903.

 

 

 

 

 

Noite para extravasar de maneira inesquecível com Wander Wildner

Julho 9, 2008

Publicado em 21.08.2006

A junção do punk com o brega, no show de Wander Wildner com pitadas de humor de The Playboys e Barbis Vocals, resultou em mistura democrática

CONCEIÇÃO GAMA

A festa 10 anos bebendo vinho, realizada na última sexta-feira no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, foi um verdadeiro retrato do ecletismo brasileiro. A junção do punk com o brega, encabeçada pelo show de Wander Wildner, com as pitadas de humor das bandas The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals resultaram numa mistura para lá de democrática. Na platéia, além dos já esperados punks e mescs, havia também hippies, góticos, patricinhas, entre outros.

As Barbis abriram a festa à 1h40 da manhã. Pareceu que os músicos haviam ido assistir ao show de Alceu Valença no Marco Zero e se esqueceram de que tinham o compromisso de tocar naquela noite. Originalmente, a festa estava marcada para as 22h. Muita gente cansou de esperar e foi embora. Apesar da demora, quando as meninas subiram ao palco, com seus vocais estridentes e desafinados, suas letras escrachadas e acessórios para lá de extravagantes, não houve quem ficasse parado. Além do repertório habitual que inclui canções como Socialize seu namorado e Priscila alma sebosa, e cover de Geórgia, a carniceira, da Ave Sangria, as garotas também cantaram clássicos como Maneiras, de Chico da Silva (aquela que diz “Se eu quiser fumar eu fumo / se eu quiser bebo”) e o bolero Quizas, quizas, quizas. Show divertido e superdançante.

Depois das Barbis, entraram em cena os Playboys. Os habituais terninhos, óculos escuros e instrumentos de brinquedo emolduraram o que foi um show verdadeiramente instigante. Os meninos têm carisma e presença de palco de sobra. As músicas, ora punk ora flertando com o rockabilly, com letras engraçadíssimas que retratam o cotidiano do Recife, animaram a eclética platéia. Destaque para a música nova Chico Buarque, além das antigas Gatinhas culturais do Burburinho e Paulo André não me ouve.

A grande estrela da noite, o gaúcho Wander Wildner, subiu ao palco por volta das 3 horas da manhã. Mais da metade da platéia já havia ido embora, mas os poucos que restaram souberam aproveitar o som do punk brega. Usando óculos de lentes vermelhas e apenas com um violão nas mãos, com luzes vermelhas no palco que que conferiram ao show um clima de cabaré, Wildner entoou sucessos de sua carreira, como Amigo punk e Quase um alcóolatra. O público cantou junto todas as músicas, com direito a bracinhos levantados balançando para um lado e para o outro. Mais brega impossível.

Na segunda metade do show, os músicos da The Playboys subiram ao palco para acompanhar o vocalista da Replicantes. Nessa parte da apresentação, o lado brega foi um pouco esquecido, dando lugar à veia punk latente de Wildner. Rato de porão abriu a seqüência punk e uma roda de pogo se formou na minguada e bêbada platéia. Depois de executar Lugar do caralho, de Júpiter Maçã, Wildner voltou à seqüência brega com um cover de – pasme – Sugar, sugar, da Archies, e a já esperada Mon Amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi.

A festa terminou num clima total de paz e amor. Além dos que os mais que clássicos bêbados abraçados e chorando, também casais altamente inesperados, como um formado por um punk e uma patricinha e outro por dois homens. Se não fosse o azar de ter caído no mesmo dia da gravação do DVD de Alceu Valença, provavelmente o evento seria um sucesso total pois, apesar do suposto preconceito, as mais diversas tribos se reuniram para dar vazão ao seu lado brega – e basfond – de ser.

Nova coordenadoria da AMP toma posse em cerimônia hoje à noite

Julho 8, 2008

Publicado em 02.08.2006

Gestão pretende articular os associados do órgão para que ele funcione de forma mais coletiva

CONCEIÇÃO GAMA

A nova coordenadoria da Articulação Musical Pernambucana toma posse hoje, numa cerimônia realizada no no Teatro Maurício de Nassau, a partir das 19h. Para comemorar a nova gestão da AMP, haverá pocket shows dos cantores Publius (Azabumba), Almir de Oliveira (Ex-Ave Sangria), Alex Mono, Geraldo Maia, Izidro, Zeh Rocha, Fred Bonato, Guga Oliveira e Márcio Soares (Estuário). O evento é aberto ao público e tem entrada franca.

Fazem parte da nova coordenação os artistas Izidro (coordenador-geral), Geraldo Maia (coordenador executivo), Virgínia Brasil (coordenadora administrativa), Fred Bonato (coordenador de finanças) e Zeh Rocha (coordenador de projetos). Os músicos Ciará, André Simquevitz, André Franck, Climério, Cláudio Negrão, Kid e Guga Oliveira ficaram na suplência do órgão. A chapa foi eleita em uma aclamação numa assembléia geral da entidade no último dia 7 de junho. A nova coordenadoria permanece no cargo por dois anos.

Segundo Izidro, quando a chapa foi formada, a idéia era articular pessoas que já participavam ativamente da AMP e somar forças para atingir os objetivos dos músicos. “Pretendemos dar continuidade a uma série de ações promovidas pela gestão anterior, mas fazê-las de uma forma mais coletiva, participativa”, conta.

De acordo com ele, fortalecer projetos como o Pré-AMP, evento musical que antecede a semana carnavalesca com apresentações de diversos artistas do país, também faz parte da proposta da chapa. “Muitas das ações da AMP aparecem hoje de forma tímida. Queremos que essas ações tenham mais relevância”, explica. Formação e reciclagem dos músicos, com discussões e seminários de âmbito regional e nacional, e promoção de oficinas de produção e técnica de som para os associados também são ações previstas pela nova gestão.

Izidro afirma ainda que uma das principais preocupações da chapa é fazer com que qualquer associado seja capaz de elaborar com segurança um projeto cultural e de lidar com as instâncias do poder público para que os projetos tenham chances de serem aprovados. “Às vezes o artista é bom, mas ele não sabe lidar com a burocracia existente nas instâncias públicas para conseguir apoio para seu trabalho”, afirma.

AMP – A Articulação Musical Pernambucana surgiu com o intuito de estudar, divulgar, defender e promover a música de Pernambuco. Além do Pré-AMP, são também ações da AMP o Palco Escola, projeto de inclusão social para formação de novos músicos dirigido para jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social, e o Circuito Ampliado, projeto de difusão e circulação da música local.

Posse na nova coordenadora da Articulação Musical Pernambucana. Hoje, às 19h, no Teatro Maurício de Nassau (Rua Vigário Tenório, Recife Antigo). Entrada franca.

Um pouco de molho brega no punk

Julho 8, 2008

Publicado em 18.08.2006

CONCEIÇÃO GAMA

O cantor e compositor gaúcho Wander Wildner é quase um pernambucano honorário. Ele volta a Pernambuco para um show na festa Dez anos bebendo vinho, que será realizada hoje, a partir das 22h, no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Wander apresenta, na ocasião, um show mais brega que o de costume, com direito a covers de Eu tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, e Mon amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi. Na quarta-feira, o vocalista dos lendários Replicantes concedeu uma entrevista ao Jornal do Commercio, em que falou sobre o show, a sua relação com o Recife e demais cidades nordestinas, seus projetos e o desejo de dar vazão maior ao seu lado cineasta.

JORNAL DO COMMERCIO – Como será o show no Eufrásio Barbosa? Você está reservando alguma surpresa?
WANDER WILDNER
– O show vai ter um repertório mais brega que o de costume. Vou deixar de lado as músicas mais punks e investir nas mais românticas. O repertório ainda não está totalmente definido, mas canções como Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo e Quase um alcóolatra certamente devem fazer parte dele. Também devo fazer um cover de Tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, e de Mon amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi.

JC – A idéia de fazer esse show mais brega partiu de você ou foi um pedido do público?
WW
– A idéia foi minha. Já fiz esse show brega em São Paulo e deu certo. Para mim, a música brega é a maior manifestação cultural brasileira porque atinge todos os cantos do país e todas as classes sociais. No meu show, quando canto Dormi na praça, de Bruno e Marrone, por exemplo, todo mundo canta junto. Ponho um molho punk e o meu público gosta do resultado. Acho isso superinteressante porque a música sertaneja muitas vezes é hostilizada pela classe média.

JC – O seu último álbum (Paraquedas do Coração) foi lançado há dois anos. Você tem previsão de lançamento de um novo disco?
WW
– Já tenho todas as músicas para o disco novo prontas. Ele vai se chamar La canción inesperada e vai ser lançado pelo selo Fora da Lei e distribuído pela Unimar Music. Eu havia pensado em lançar o disco ainda este ano, mas veio a turnê com os Replicantes e o Acústico MTV Bandas Gaúchas que me tomaram muito tempo. Não dá para lançar dois projetos grandes de uma só vez. Depois pensei em lançar o disco em março do ano que vem, mas fui convidado para participar de um DVD em homenagem a Tom Capone. Aí o disco vai ficar na geladeira mais um pouco.

JC – Já que as músicas novas estão prontas, você vai cantar alguma no show?
WW
– Não sei ainda. O setlist não está pronto. Mas, de repente posso até cantar uma, dependendo do feeling do público.

JC – Você tem previsão de lançamento de um videoclipe novo?
WW –
Pretendo gravar ainda este ano dois ou três clipes do disco novo para que, quando ele seja lançado, os clipes já estejam prontos. Alunos de uma faculdade de cinema de São Paulo me procuraram interessados em fazer um clipe meu e eu achei ótimo. Geórgia Branco, a baixista que trabalha comigo, também faz umas coisas em vídeo e deve dirigir um dos clipes. Outro nome cotado é um webdesigner chamado Victor que está fazendo o meu site novo – que deverá ser lançado em setembro – e trabalha com cinema de animação.

JC – Ano passado você estreou um filme (O Cerro do Jarau, dirigido por Beto Souza) que, inclusive, foi exibido no Cine PE 2005 em primeira mão. Você pretende se aventurar outras vezes pelo caminho do cinema?
WW –
Nesse filme eu interpreto eu mesmo, canto umas músicas minhas em uma cena. No futuro, quero fazer mais cinema do que música, para ser sincero. Porque no cinema é possível inserir a música. E trabalhar só com música às vezes é muito cansativo. A gente se esforça, procura organizar um trabalho legal e faz um super show para 50 pessoas, sabe? Isso desestimula muito. Eu gosto muito de cinema e já fiz outros filmes, como Deu pra ti anos 70 (1981, Dir. Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil), um longa numa época em que quase ninguém fazia cinema, em que o vídeo não tinha essa popularidade que tem hoje.

JC – Você também escreve roteiros?
WW –
Sim. Estou fazendo o roteiro de um longa chamado O frentista. É um road movie, uma história de um músico que sai pela estrada. Provavelmente o protagonista será interpretado pelo músico gaúcho Jimmy Joe. Apesar de o roteiro ser meu, não quero dirigir o filme. Quero produzí-lo e fazer uma co-direção, uma coisa coletiva. No entanto, como o roteiro ainda não está pronto, não tenho previsão nem de quando darei início às filmagens. Mas tenho certeza de uma coisa: o filme será feito em digital porque é muito caro trabalhar com película aqui no Brasil.

 

Noite do punk brega, das barbies e dos playboys

Além do molho punk de Wander Wildner, Dez anos bebendo vinho também conta com o humor irônico das bandas pernambucanas The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals, que trazem algumas novidades para o público pernambucano.

Recém-chegadas de uma turnê de quinze dias em São Paulo, as Barbis apresentarão três músicas inéditas: Docialidade cientificista, Egolombragatinho (uma homenagem ao baterista da banda, Vicente) e Vivi é uma ninfomaníaca (brincadeira com a produtora da banda). As garotas também prometem performances luxuosas com os novos apetrechos importados diretamente da 25 de Março.

A banda The Playboys também não fica atrás no quesito novidade. Chico Buarque, uma grande sátira com o mestre da MPB, e Hino da alegria, um hino “evangélico”, são duas composições inéditas que serão apresentadas no show. A banda promete ainda outras novidades até o final do ano. Em comemoração aos dez anos de carreira, The Playboys lançarão uma caixa intitulada Dez anos pedindo mesada, contendo os CDs da banda (inclusive um inédito), DVDs de clipes (Paulo André não me ouve e Se não fosse o rock) e o documentário Rock na Tamarineira (dirigido por Maurício Targino, da Símio Filmes). (C.G.)

Dez anos bebendo vinho – Shows com Wander Wildner, The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals. Discotecagem de Roger de Renor. Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Hoje, a partir das 22h. Ingressos: R$ 7.

Caixa Cultural Recife já tem sede

Julho 8, 2008

Publicado em 15.08.2006

Representantes do banco federal assinaram ontem a compra do prédio da Bolsa de Valores

CONCEIÇÃO GAMA

Foi assinada ontem, em cerimônia oficial, a compra do prédio da Bolsa de Valores de Pernambuco e Paraíba, localizado no Recife Antigo, pela Caixa Econômica Federal. O intuito da aquisição do prédio é a instalação da Caixa Cultural Recife, um espaço que prevê atividades artísticas como teatro, música, dança, fotografia, mostras de cinema e artes plásticas, sendo o processo de seleção feito por meio de edital público. Além dessas atividades, no local, a Caixa promoverá exposição de seu acervo de obras de arte, composto por trabalhos de artistas renomados. Mais de R$ 10 milhões serão investidos no espaço.

O centro ainda não tem data definida para ser inaugurado. O prédio da Bolsa de Valores precisa ser reformado antes de abrigar o projeto. O edital de licitação para contratação de empresa de arquitetura ou engenharia responsável pela elaboração do projeto executivo da Caixa Cultural Recife está disponível no site do banco (www.caixa.gov.br).

Na solenidade, houve também a assinatura dos contratos de patrocínio referentes à segunda edição do Programa caixa de adoção de entidades culturais pela presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, e pelo superintendente regional da Caixa no Recife, Alex Norat.

Em Pernambuco, há dois projetos contemplados: Restauração da Coleção Armorial, do Centro Cultural Benfica e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco, e Preservação e Acesso à coleção de cartografia – 1ª Etapa, do Museu da Cidade do Recife e da Associação dos Amigos do Museu. As instituições culturais selecionadas serão patrocinadas pelo período de um ano.

Restauração da Coleção Armorial prevê a restauração de 74 obras de arte que compõem o acervo Armorial do Centro Cultural Benfica da Universidade Federal de Pernambuco. A coleção foi montada por Ariano Suassuna, quando era diretor do antigo Departamento de Extensão Cultural da Universidade. O acervo possui obras de importantes artistas como Francisco Brennand, Gilvan Samico, Miguel dos Santos, Arnaldo Barbosa e Fernando Lopes.

Já o projeto Preservação e acesso à coleção de cartografia – 1ª etapa consiste na catalogação e limpeza do mais importante acervo iconográfico da cidade, composto por 1.600 plantas e mapas do Recife, datados do final do século 19 e início do século 20.

A Caixa já possui espaços culturais nas cidades de Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Além do Recife, dois novos espaços estão sendo construídos em Fortaleza e Porto Alegre.

Conselho de Cultura faz bela homenagem a Alex

Julho 8, 2008

Publicado em 09.08.2006

Cronista do JC completou 80 anos no último sábado e tem recebido inúmeras homenagens

CONCEIÇÃO GAMA

O jornalista José de Souza Alencar, o Alex, recebeu ontem uma homenagem do Conselho Estadual de Cultura, pela passagem do seu aniversário de 80 anos. Na ocasião, estiveram presentes, além dos membros do Conselho, acadêmicos, escritores, artistas, políticos e amigos de Alex.

O poeta Marcus Acioly fez as honras da casa contando como foi difícil convencer Alex a aceitar a homenagem. “Passamos um sufoco porque Alex me ligou dizendo que não vinha e eu não podia fazer essa desfeita com os convidados. Então liguei para a redação do Jornal do Commercio e inventei que havia uma votação e a presença de Alex era imprescindível”, contou. “Alex dá menos importância para si mesmo do que o resto da população do Estado dá. Ele sempre se esconde em seu aniversário e foge de homenagens”, frisou.

Depois da apresentação, os membros do Conselho e amigos de Alex falaram da importância do colunista para a cultura de Pernambuco e para suas carreiras. “Lendo a coluna de Alex, é possível conhecer detalhes e peculiaridades da sociedade pernambucana, já que ele é uma espécie de antropólogo de campo do Estado”, explicou Geraldo Pereira, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco. O pintor João Câmara Filho concorda. “Alex tem uma imagem impossível de ser dissociada da cultura pernambucana”, afirmou.

O cantor e compositor Getúlio Cavalcanti frisou a importância de Alex para muitos artistas pernambucanos. “A primeira chance que tive de aparece como cantor foi no programa de Alex na TV. Devo muito a esse grande colunista social, assim como muita gente que está aqui”, destacou.

“Aos 80 anos as lágrimas são fáceis. A partir de agora, todo dia tem importância única para ficar com as pessoas de que eu gosto. É muito bom ser lembrado por gente tão querida”, contou Alex, emocionado, ao final da homenagem.

Pernambuco onipresente em Natal

Julho 8, 2008

Publicado em 08.08.2006

Em seu segundo ano, o festival DoSol abriu espaço para a produção musical independente

CONCEIÇÃO GAMA

A segunda edição do Festival DoSol, realizada no último fim-de-semana (da sexta ao último domingo), mostrou que o evento tem potencial para se tornar um dos maiores do gênero no País. Em três dias, cerca de 9 mil pessoas compareceram ao Largo da Rua do Chile, em Natal, para prestigiar o trabalho de 38 bandas independentes vindas de 11 estados diferentes, sendo seis grupos pernambucanos: Parafusa, Bonsucesso, Carfax, Astronautas e Devotos. O grande destaque do festival ficou por conta dos pernambucanos da Devotos, que fizeram um show magistral no último dia do evento.

Quando Canibal e companhia subiram ao palco, parecia que um furacão havia tomado conta do festival DoSol. Formou-se uma roda de pogo gigante – coisa rara em Natal – e quem ficou de fora também se sentiu tentado a entrar. O bom e velho “punk rock hardcore lá do Alto José do Pinho” mostrou que ficou ainda melhor depois de dez anos de estrada. Enquanto Canibal gritava “vamos arrodear, arrodear, arrodear!”, o público potiguar entrava em êxtase.

Outro destaque do evento ficou por conta dos potiguares da Poetas Elétricos, que abriram o festival. O som da banda, como sugere o seu nome, é uma mistura de poesia com música eletrônica. Letras que poderiam perfeitamente pertencer a Tom Zé ou a Arnaldo Antunes se encaixam no som barulhento e perturbador da banda, que transforma qualquer ruído em música. A performance do grupo engloba computadores em cena, indumentárias hight-tech e um telão com imagens urbanas redesenhadas em pop-art. O show foi um grande pastiche pós-moderno muito bonito de se ver.

FÃS – A Mundo Livre S/A, que fechou o primeiro dia do evento, fez um show dançante e contagiante. E quem disse que Fred 04 não arrastava grandes multidões fora do Recife se enganou. O público potiguar tinha todas as músicas na ponta da língua e, mesmo com a maratona cansativa de muitas bandas se apresentando em um único dia, ficou até o final para prestigiar a apresentação, uma retrospectiva de carreira.

A Carfax, que se apresentou no segundo dia do festival, também fez um show correto e contagiante. O repertório da banda foi todo composto por músicas do primeiro disco da banda, O gosto antigo da novidade. Os vocais poderosos de Iana Beckman não precisaram de covers para cativar o público. A banda mostrou que tem potencial e conquistou a platéia.

Os paraibanos da Dead Nomads fizeram um dos shows mais legais do último dia do festival. A banda tocou seu punk rock autoral, com destaque para 1945 e Resposta, músicas cantadas em coro pela platéia. A banda fez ainda um cover de Blitzkrieg bop, dos Ramones, e uma versão hardcore de Bigmouth strikes again, dos Smiths, que levaram o público ao êxtase absoluto.

O festival DoSol cumpriu bem o papel de mostrar a cena independente brasileira, sobretudo a nordestina. Ele foi o retrato de que, para se fazer música boa neste País, não é necessário MTV e nem FM, apenas técnica, criatividade e carisma.

Seis bandas pernambucanas na grade do Festival DoSol

Julho 8, 2008

Publicado em 04.08.2006

Festival potiguar de música independente, que começa hoje, traz 38 atrações de 11 Estados

CONCEIÇÃO GAMA

Seis bandas pernambucanas estão na grade de programação da 2ª edição do Festival DoSol, que começa hoje, em Natal. Bonsucesso Samba Clube, Parafusa e Mundo Livre S/A se apresentam hoje. Amanhã é a vez da Carfax e, no domingo, Astronautas e Devotos.

A escalação do considerável time de bandas pernambucanas mostra a importância que a música independente do Estado tem para o cenário do País. Na primeira edição do evento, realizada no ano passado, apenas a Mombojó e a Vamoz entraram na programação. Este ano, Pernambuco é o Estado mais representativo no evento em número de bandas, perdendo apenas para o próprio Rio Grande do Norte, que teve 19 escalações.

Segundo o idealizador e produtor do festival, Anderson Foca, o aumento do número de músicos pernambucanos na grade do festival se deveu, sobretudo, a um intercâmbio cultural intenso. “Estive, no início do ano, no Porto Musical e recebi material de muitas bandas. Além disso, assisti a shows de alguns desses artistas em festivais independentes de diversas cidades do Brasil e pude constatar a excelente qualidade musical dos grupos”, conta.

Foca explica que, além da qualidade musical das bandas, também foi levada em consideração a região de origem. “O festival se propõe a ser uma vitrine da nova música do Brasil, sobretudo da música nordestina”, afirma. De acordo com ele, a produção do festival recebeu material de cerca de 800 bandas do Brasil inteiro. “Infelizmente não pudemos trazer todas as bandas que gostamos. Muita gente boa ficou fora da programação”, lamenta.

A escolha das 38 bandas, vindas de 11 Estados, foi feita por uma curadoria da produtora DoSol. “A grande característica do festival é priorizar a nova música brasileira. Não temos interesse em trazer medalhões como Skank ou O Rappa, por exemplo. Queremos mostrar o trabalho de artistas que não têm tanto espaço na grande mídia”, explica.

Este ano, o Festival DoSol será realizado em três dias, um a mais que na primeira edição do evento. A estrutura terá dois palcos principais e um Rock Bar onde também haverá shows, totalizando um espaço para receber até 4 mil pessoas por dia.

Dentro da programação do evento, além dos shows, estão previstos lançamentos de CDs, produção de videoclipes, mostras de zines, feira mix, encontro do grupo Nordeste Independente e a viabilização de miniturnês nordestinas com algumas das atrações convidadas.

INTERATIVIDADE – A produção do Festival DoSol produziu programas semanais televisivos com 30 minutos cada, com o objetivo de divulgar as novidades do cenário musical local, exibindo videoclipes, entrevistas e tendo a participação das bandas locais.

Os programas estão indo ao ar semanalmente, em um canal de TV pago e em um aberto em Natal. O público que está fora de Natal também pode assistir aos programas, fazendo o download pelo site do festival (www.dosol.com.br/festival).

Ao todo são cinco programas. No dia 12 de agosto irá ao ar um compacto dos shows do festival. Quem visitar o site pode ainda ler as novidades do evento, baixar músicas das bandas participantes e ouvir a rádio online exclusiva do Festival, também disponível para download. Outros vídeos e clipes de bandas participantes também estão disponíveis no endereço.

Música em movimento

Julho 8, 2008

Publicado em 02.08.2006

Bandas pernambucanas apostam em videoclipe como uma forma mais forte de divulgação de seus trabalhos, mas esbarram nas dificuldades financeiras

CONCEIÇÃO GAMA

A geração musical pós-mangue veio acompanhada por uma efervescência cinematográfica no Estado, fruto da revolução digital que barateou o custo dos equipamentos de vídeo. Para qualquer banda pernambucana que se preze, hoje, gravar um videoclipe é quase tão importante quanto gravar um disco.

“O videoclipe é um meio de divulgação fundamental atualmente. Podemos disponibilizá-lo na Internet para qualquer pessoa ver. Quando resolvemos fazer um videoclipe, entramos em acordo com o diretor e dividimos o roteiro, para que o vídeo fique com a cara da banda. Apesar das dificuldades, não podemos deixar de filmar”, conta Rogerman, vocalista da Bonsucesso Samba Clube, banda que tem quatro clipes gravados e dois discos lançados. O cantor e compositor Lula Queiroga, com dois discos lançados, três clipes prontos, mais um em fase de finalização e um DVD ao vivo em edição, concorda com Rogerman. Segundo ele, o videoclipe cria uma identidade visual que complementa a identidade musical do artista. “O clipe mostra para que o artista veio. Ele conta uma história que às vezes vai além do que a música fala”, conta.

O diretor Nilton Pereira, cineasta da produtora TV Viva, organização não-governamental ligada ao Centro de Cultura Luiz Freire, afirma que a revolução digital trouxe uma maior democratização da mídia vídeo. “Uma Betacam, na época que nós compramos, há 15 anos, por exemplo, custava 45 mil dólares. Hoje você compra uma boa câmera digital com 5 mil dólares. As tecnologias atuais baixaram os custos e facilitaram a vida de todo mundo”, comemora.

Mas nem tudo são flores. O acesso mais fácil aos equipamentos de vídeo não veio acompanhado de uma estrutura no Estado que possibilite a realização de grandes produções. “Aqui no Recife não há uma infra-estrutura de cenários para cinema. A gente tem uma cena musical mais avançada que a produção de videoclipes. Nos últimos anos, houve um aumento no número de produções, mas elas ainda são, na maioria, semiprofissionais. Em cinema, há uma certa tradição por aqui mas, em videoclipe, ainda não. E isso não acontece por falta de competência, mas por falta de dinheiro mesmo”, argumenta Pedro Severien, que faz parte da nova geração de diretores do Estado.

Outro diretor da nova geração, Daniel Aragão, concorda com o fato de haver dificuldades na realização de videoclipes em Pernambuco. “Todo mundo aqui faz clipe praticamente de graça. Apesar de o Estado ter expressão artística na área do audiovisual, especificamente a mídia videoclipe é apenas mais uma forma de se fazer. Videasta recifense é muito ansioso por trabalho e daí termina fazendo tudo”, confessa. Daniel assina a direção dos clipes Além da razão (2005), da banda Rádio de Outono, É o tchan da garrafa (2005), da Profiterólis e a fotografia de Deixe-se acreditar (2006), da Mombojó. Ele ganhou o prêmio de melhor videoclipe no Festival de Gramado 2005 com Ireny, da Mula Manca & A Triste Figura, clipe em que dividiu a direção com Gabriel Mascaro.

Marcelo Pinheiro, da Luni Produções, também vê de perto as dificuldades de realização. “Aqui, dificilmente se roda em 16 mm. Sou sempre procurado por bandas, muitas vezes bandas boas e por que eu me interesso, mas elas não têm dinheiro, aí fica complicado. Com o apoio total de uma produtora, o artista precisa desembolsar 6 ou 7 mil reais, no mínimo, para fazer um clipe legal”, afirma. Marcelo dirigiu, dentre outras realizações, Propróstata, da Textículos de Mary, que foi indicado como melhor clipe ao Video Music Brasil 2003, premiação da MTV. O clipe mais recente assinado por Marcelo é Nas terras da gente, de Silvério Pessoa, lançado há um mês, e tem co-direção de Jeanine Brandão.

Não é por causa da falta de estrutura que se deixa de experimentar novidades nas produções dos videoclipes pernambucanos. Raul Luna, que dirigiu Cabidela (2003), da Mombojó, O lago (2004), da Superoutro e Marchinha (2005), da Parafusa, é um nome forte da nova geração de diretores de videoclipe, que abusa da criatividade para driblar as dificuldades de baixo orçamento. “Estou filmando o clipe da música Dreams, da Mellotrons, e um DVD inteiro da Superoutro, com clipes de singles e experimentos. Antes, eu acreditava que, se usasse o melhor equipamento, teria o melhor vídeo. No entanto, hoje, eu observo que vale mais a qualidade conceitual do que a técnica em si. Para o clipe da Mellotrons, por exemplo, estou usando uma câmera de VHS, ultrapassada, e buscando a estética dos anos 90. Experimentar é sempre válido”, conta.

 
Depois do sucesso, vem o Sudeste
Artistas pernambucanos que ganharam renome nacional nos anos 90 deixaram de produzir clipes em Pernambuco no auge da carreira

A produção de videoclipes em Pernambuco teve um boom no início dos anos 90, com trabalhos produzidos de forma independente. No entanto, a partir do momento em que os artistas assinaram com grandes gravadoras, deixaram de realizar os videoclipes no Estado e passaram a produzir os vídeos no eixo Rio-São Paulo. “No início dos anos 90, o Manguebeat englobou várias áreas artísticas e havia uma efervescência do movimento. Conhecíamos as bandas e fazíamos os clipes de graça porque acreditávamos nelas. Quando elas assinavam com uma gravadora, esperávamos que fossem continuar gravando com a gente, com financiamento e uma estrutura melhor. No entanto, as gravadoras tiraram o trabalho da gente e fizeram os clipes dos artistas pernambucanos no Sudeste”, conta o cineasta Kléber Mendonça Filho.

A Mundo Livre S/A é uma das bandas que se encaixam nesse perfil. “Fizemos alguns democlipes com a TV Viva, antes de fecharmos com a gravadora. Depois, todos os nossos clipes foram feitos em São Paulo. Em 2003, saímos da gravadora e lançamos O outro mundo de Manuela Rosário, completamente independente e sem orçamentos para clipes. Aí liberamos as músicas para quem quisesse fazer clipe. Recebemos trabalhos do Brasil todo, foi muito gratificante”, comemora Fred 04, vocalista da banda.

O único clipe do álbum feito em Pernambuco foi produzido pela TV Viva. O outro mundo de Xicão Xucuru, dirigido por Nilton Pereira, é de música composta por Fred 04 a partir de um documentário produzido pela ONG. “Aqui no Recife, nunca tivemos uma exibição tão grande como aconteceu com Xicão Xucuru, que passou várias vezes na TVU. Do vendedor do fiteiro ao motorista de táxi, todo mundo veio falar com a gente dizendo que viu o clipe”, afirma Fred 04.

Com o novo álbum, Bebadogroove, a banda deu continuidade à experiência de clipe genérico. Em Pernambuco, estão sendo realizados dois videoclipes do disco, Carnaval inesquecível na Cidade Alta e Laura Bush tem um senhor problema, ambos dirigidos por Pedro Severien. “Quando pensamos nos clipes, queríamos qualidade de produção para que eles entrassem no circuito. Elaboramos então um orçamento para filmagens em Super 16. Conseguimos 45 mil da Chesf e 25 mil da Prefeitura do Recife, mas o orçamento mesmo era de 88 mil. Teremos algumas dificuldades, mas sai”, conta Pedro. As filmagens dos dois videoclipes serão realizadas no fim do mês.

 
Animação também em Pernambuco

A digitalização dos vídeos trouxe aos artistas pernambucanos, além da praticidade, a possibilidade de trabalhar com outras técnicas de imagem, como a animação. Marcelo Vaz, da produtora Z-4, é um dos diretores que trabalham com a técnica no Recife. Ele dirigiu o clipe de Cidade cinza, da banda Astronautas, uma animação em 3D, com uma linguagem de filme futurista. A produção rendeu a Marcelo a indicação de melhor clipe no Video Music Brasil 2005.

Ele também dirigiu Sabe tudo, da Rádio de Outono, uma animação em 2D, com uma estética inspirada nos desenhos da Cartoon Network, e A história do Boi Tatau, da Parafusa, um mix de vídeo, fotografia e animação. “Os clipes de animação são feitos basicamente com PC e estúdio. Pensamos em tudo para ficar bem feito. Hoje em dia é muito fácil fazer um videoclipe, o problema maior é manter a qualidade”, argumenta. Segundo Marcelo, o orçamento de um clipe de animação fica em torno de cinco e dez mil reais. (C.G.)

 
Misturar música e vídeo não é novidade no Recife

Os primeiros esboços de videoclipe que apareceram no Recife ainda na década de 70. Em 1975, a banda Ave Sangria gravou uma espécie de vídeo performance da música Geórgia, a carniceira para o programa Fantástico, da Rede Globo. No entanto, o material nunca foi exibido. “Gravamos a música num cenário em estúdio. A produção foi toda da Rede Globo. Para a gente era só aparecer na TV mesmo, não tínhamos esse conceito de videoclipe em mente”, conta Marco Pólo, ex-vocalista da banda.

O cantor Alceu Valença também fez alguns experimentos com vídeo na década de 70. “A imagem sempre esteve ligada à minha pessoa. Música, para mim, sugere cinema”, explica. Em 1973, Alceu fez A noite do espantalho, um filme-clipe dirigido por Sérgio Ricardo, em Nova Jerusalém. Mais tarde, o cantor vivenciou outras experiências com vídeo, dessa vez dirigido por Jomard Muniz de Brito. “Fizemos uma filmagem em Super 8 produzida com a música Imitação da vida, no Morro da Conceição, no final da década de 70. Na época, não se falava em videoclipe, foi um trabalho experimental, amadorístico. Depois, no começo dos anos 80, fizemos, junto com Rucker Vieira, Amanhecendo, um semidocumentário livre sobre um disco inteiro. Alceu aparece às 5h da manhã em uma fábrica na Torre e depois faz um passeio pela cidade. Foi um trabalho de registrar e reinventar o Recife”, afirma Jomard.

Outra embrião de videoclipe no Recife foi realizado em 1984. O jornalista Amin Stepple Hiluey dirigiu um vídeo musical produzido pela Rede Globo, Edy Clínio, o conde do rock, um curta-metragem com sete minutos de duração. “Ele era uma figura que fazia shows pela cidade. Em vários muros do Recife havia pixado ‘Edy Clínio, o conde do rock’, mas ninguém sabia ao certo quem era ele. Eu trabalhava na Globo na época e tive a idéia de fazer o vídeo, que foi exibido no telejornal local. Foi, na verdade, um projeto experimental em que utilizei várias técnicas diferentes como videoclipe, cinema, udigrudi, telejornalismo, vídeo-arte e super 8”, explica Amin.

 
MTV ainda é objetivo das bandas

Aparecer na MTV para uma banda de hoje é tão importante quanto ter músicas tocando nas rádios. Isso porque a emissora tem ajudado a formar o gosto musical de grande parte da juventude e as bandas sentem a necessidade de fixarem a sua imagem perante o público.

“Músico é muito vaidoso. Por mais que o clipe tenha sido feito de forma independente, as bandas se comportam como se tivessem se vendendo, com a intenção de entrar na MTV e outros canais comerciais”, conta o diretor de clipes Daniel Aragão.

Bárbara Jones, vocalista da Rádio de Outono, concorda com o diretor. “A MTV hoje é como o rádio antigamente. As pessoas que não têm curiosidade de procurar coisas novas, que querem receber as músicas já prontinhas, embaladas, formam o seu gosto musical a partir da emissora”, afirma. Segundo Bárbara, depois que o clipe de Sabe tudo estreou na MTV, o retorno do público foi muito significativo. “Recebemos e-mails de gente do Brasil inteiro elogiando”, conta.

A banda Mundo Livre S/A deve boa parte do seu sucesso nacional à emissora. “Somos os únicos artistas de Pernambuco a figurar o primeiro lugar do Disk MTV, com o clipe de Livre iniciativa, em 1994. Na época, não existia jabá na TV, a MTV era uma coisa de quem era apaixonado por música. Os VJs eram críticos de música, não modelinhos”, afirma. Fred conta que chegar ao topo não foi tão simples. “Estávamos no auge da carreira. Havíamos sido escolhidos como artista revelação pela revista Show Bizz. Então Titi, o filho do dono da MTV, nos convidou para fazer o clipe. Para a nossa sorte, tivemos esse apadrinhamento”, revela.

Outra banda pernambucana que conseguiu sucesso nacional por meio da MTV foi a Paulo Francis Vai Pro Céu. O clipe da música Perdidos no espaço ganhou o prêmio de melhor democlipe no Video Music Brasil 1998. “As pessoas não acreditavam que a gente ganharia o prêmio porque bandas de Recife não ganhavam. Foi uma surpresa para todo mundo. Até hoje somos os únicos pernambucanos premiados no VMB”, conta André Balaio, vocalista da banda. No entanto, segundo Balaio, a banda não soube aproveitar o sucesso que chegou junto com a premiação. “Sem dúvidas, o clipe ajudou muito a divulgar nosso trabalho. Fechamos vários shows no Rio e em São Paulo. Mas, depois, a banda ficou um tempo parada e acabou um tanto esquecida”, lamenta.

 
Fazer uma produção caseira é mais fácil do que parece

Hoje, para fazer um vídeo, não é necessário sequer ter uma câmera filmadora. E, para divulgá-lo, é apenas necessário ter acesso à Internet. A estudante de Radialismo e TV da Universidade Federal de Pernambuco, Sofia Egito, provou isso ao realizar o clipe da música Space bolero, da banda Asteróide B-612, todo com fotografias digitais. Ela disponibilizou o vídeo no site Google Videos e enviou uma cópia para a MTV, que o exibiu no programa Ya! Dog.

“Não foi difícil de fazer. O clipe levou quatro dias para ficar pronto. Foram dois dias para a sessão de fotos e mais dois dias para a edição. Editei as fotos no meu computador de casa mesmo e a edição do vídeo fiz numa ilha de uma universidade particular”, conta.

Sofia gostou tanto da experiência que pretende levá-la adiante. “Quero comprar uma câmera e equipar meu computador pessoal para poder fazer edições em casa. Sei que é um mercado que está crescendo”, vibra.