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Psicodelia revisitada no Molotov

Julho 10, 2008

Publicado em 22.08.2006

CONCEIÇÃO GAMA

Júpiter Maçã, cantor e compositor gaúcho que se apresenta no Recife em 1º de setembro, dia de abertura do festival Coquetel Molotov, é um exemplo de artista que reinventa a carreira a cada novo álbum. Já se passaram oito anos desde a última vez que o gaúcho Flávio Basso, mais conhecido como Júpiter Maçã (junção do apelido de seu avô com o nome da gravadora dos Beatles), esteve por aqui, com seus famosos terninhos mod, para um show no festival Abril Pro Rock. Agora, a psicodelia efervescente de Júpiter Maçã está de volta para um show que promete ser histórico.

JORNAL DO COMMERCIO – Você foi o artista mais votado na comunidade do Orkut para entrar na programação do Festival Coquetel Molotov. Como você se sente em saber que tem tantos fãs em Pernambuco?
JÚPITER MAÇÃ
– Sério? Eu não estava sabendo disso! Que bacana!!! Ah, eu acho que isso de repente se dá por uma identificação quase telepática que transcende as distâncias geográficas… As pessoas que gostam de música psicodélica têm muito disso. Eu me sinto lisonjeado e muito gratificado por as pessoas lembrarem o meu nome.
JC – Você é um artista conhecido por gravar todos os instrumentos e vozes dos seus discos. Como será o show? Quem vai acompanhá-lo?

JM – Com esse meu último disco, a coisa foi um pouco diferente. Os músicos que me acompanham gravaram algumas coisas comigo também. Para essa turnê, estão tocando comigo Eduardo Dolzan (bateria), Ray-Z (guitarra), Cabelo (baixo) e Talitha Freitas (percussão e back vocals). Eles também vão me acompanhar para o show do Coquetel Molotov.
JC – O repertório do show que você fará no Recife será baseado no seu último álbum ou uma retrospectiva da sua carreira?

JM – Vou tirar material dos meus quatro discos, mas vou ser mais enfático no último mesmo. Ah, também vou mostrar coisas inéditas! Tem um disco meu que está para sair por uma gravadora espanhola, a Elephant Records, chamado Una tarde en la frutería. Ele tem previsão de lançamento para outubro.
JC – Vai ser lançado no Brasil também?

JM – Eu gostaria, mas ainda não sei… Ah, eu também pretendo recatalogar meus três primeiros discos, mas isso é outra história sem definição de data nenhuma ainda. E pra lançar o Una tarde en la frutería aqui eu vou traduzir o nome para Uma tarde na fruteira.
JC – E as músicas vão ser em português ou espanhol?

JM – Não, é tudo em português! Só o título que está em espanhol mesmo. Mas eu pretendo depois fazer umas coisas em espanhol, sei lá… A língua espanhola soa bem pra mim.

JC – Você já compôs em português, fez dois discos todos em inglês e atualmente flerta com o francês nas músicas novas. Por que essa ânsia por mistura de línguas? Qual vai ser o próximo idioma?

JM – (risos) Ah, provavelmente o espanhol mesmo! (risos) Mas isso é uma coisa natural… Surge na hora da composição mesmo. Por exemplo, foi assim com a Mademoiselle Marchand (música que fará parte do novo álbum de Júpiter, com letra em português e refrão em francês). Todo compositor tem um filminho branco na cabeça prestes a ser feito. Todo ele quer ter a sua… Satisfaction, sabe? Eu gostaria de ter a minha Michelle, ou Ma Belle… (NR – O autor se refere à música dos Beatles, cujo refrão é Michelle, ma belle). Isso do francês foi uma pitada na hora da inspiração. Na minha cabeça, ficou muito bonito o refrão de Mademoiselle Marchand em francês, aí eu deixei.
JC – Como você definiria a fase atual da sua carreira? Mudou muita coisa desde a última vez que você tocou no Recife?

JM – Ah, sim, com certeza… Quando foi que eu toquei no Recife? 1998? Nossa, faz muito tempo! Nesses oito anos, com certeza mudaram algumas coisas. Mas assim, mudaram e não mudaram. A essência em si não mudou. O lance foi que eu fiquei mais experiente como músico.

JC – Os personagens das suas músicas, como Walter Victor e Miss Lexotan, são reais?

JM – Hum… Eu diria que eles são misturas de várias realidades. Gente que eu conheço e que eu invento também. E não é só o Walter Victor e a Miss Lexotan 6mg. Tem também a Mademoiselle Marchand e a própria Síndrome de Pânico.
JC – Como vai ser o show do Coquetel Molotov? Você está preparando alguma surpresa?

JM – (risos) Surpresa? Hum… Na realidade não. Mas eu estou ansioso! Quero ser surpreendido pelo público pra gente fazer um show bacana. E acho que vou ser.

Multiinstrumentista é referência do rock gaúcho
Publicado em 22.08.2006

Júpiter Maçã, multiinstrumentista, compositor e cineasta, que integrou importantes bandas de rock gaúcho do início dos anos 90, como TNT e Cascavellettes, quando veio ao Recife pela primeira vez, em 1998, havia gravado apenas um álbum, o cultuadíssimo A sétima efervescência, lançado pela Acit/Antídoto em 1996. Fazem parte do disco hits como Walter Victor (tomador de panca!), Querida SuperHist x Mr. Frog, As tortas e As cucas, Lugar do caralho (regravada em 1997 por Wander Wildner em seu primeiro disco solo, Baladas sangrentas, e cuja autoria é por vezes inexplicavelmente atribuída a Raul Seixas) e Miss Lexotan 6mg (regravada pelos paulistas da Ira! em 1998, no álbum Você não sabe quem eu sou).

De lá para cá, muita coisa aconteceu na carreira de Júpiter. Ele adotou o novo alter-ego Jupiter Apple e lançou pela Trama o bossa-jazzy Plastic Soda (1999), todo com composições em inglês. O álbum foi premiado no ano seguinte com troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), além de ter recebido elogios de personalidades da música como Tom Zé, Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sean Lennon.

Em 2001, Jupiter fez sua estréia como cineasta e ator, com o média-metragem The apartment Jazz, uma divagação poética com loops visuais acerca das reflexões de dois homens sobre água pesada e filmes e livros em andamento e suas aventuras amorosas com garotas paranóicas. O filme rendeu a Júpiter uma premiação na categoria Contribuição Artística no Festival Livre Olhar, de Porto Alegre, em 2003.

Ainda em 2001, Jupiter lançou Hisscivilization (Nolandman/Voiceprint, com distribuição da Barulhinho), álbum que é uma perfeita trilha sonora para filmes de ficção científica. Utilizando cítaras e moogs, Jupiter fez um experimentalismo com referências ao rock de Manchester, ao concretismo alemão, às canções jazzy de cabarés franceses e alemães, à fase Beach Boys de Pet Sounds e Smile Smiley (1966 e 1967) e à movimentos de MPB, como a Bossa Nova e o Tropicalismo. As letras em inglês desobedecem à gramática inglesa e recriam um dialeto inovador. No álbum, Jupiter deixou de lado o trabalho de gravar todos os instrumentos e vozes das canções sozinho e contou com a ajuda de uma banda que o acompanha nas turnês até hoje.

Em 2003, Jupiter Apple lançou uma videoretrospectiva de sua carreira intitulada Pescando Jupiter segundo Huxley, com imagens raras de shows extraídas de seu arquivo pessoal, videoclipes e o filme The apartment Jazz.

Até o fim do ano, o agora novamente Júpiter Maçã (que deixou de lado o outro alter-ego Jupiter Apple – vamos rezar para que no futuro ele não dê uma de Prince e adote símbolos como seu nome) pretende lançar a esperada seqüência d’A Sétima Efervescência, um disco em português com toques de francês. As novas canções, entre as quais estão Mademoiselle Marchand e Síndrome de pânico podem ser conferidas nos show e estão disponíveis para download na página do artista no site da Trama Virtual.

Um pouco de molho brega no punk

Julho 8, 2008

Publicado em 18.08.2006

CONCEIÇÃO GAMA

O cantor e compositor gaúcho Wander Wildner é quase um pernambucano honorário. Ele volta a Pernambuco para um show na festa Dez anos bebendo vinho, que será realizada hoje, a partir das 22h, no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Wander apresenta, na ocasião, um show mais brega que o de costume, com direito a covers de Eu tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, e Mon amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi. Na quarta-feira, o vocalista dos lendários Replicantes concedeu uma entrevista ao Jornal do Commercio, em que falou sobre o show, a sua relação com o Recife e demais cidades nordestinas, seus projetos e o desejo de dar vazão maior ao seu lado cineasta.

JORNAL DO COMMERCIO – Como será o show no Eufrásio Barbosa? Você está reservando alguma surpresa?
WANDER WILDNER
– O show vai ter um repertório mais brega que o de costume. Vou deixar de lado as músicas mais punks e investir nas mais românticas. O repertório ainda não está totalmente definido, mas canções como Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo e Quase um alcóolatra certamente devem fazer parte dele. Também devo fazer um cover de Tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, e de Mon amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi.

JC – A idéia de fazer esse show mais brega partiu de você ou foi um pedido do público?
WW
– A idéia foi minha. Já fiz esse show brega em São Paulo e deu certo. Para mim, a música brega é a maior manifestação cultural brasileira porque atinge todos os cantos do país e todas as classes sociais. No meu show, quando canto Dormi na praça, de Bruno e Marrone, por exemplo, todo mundo canta junto. Ponho um molho punk e o meu público gosta do resultado. Acho isso superinteressante porque a música sertaneja muitas vezes é hostilizada pela classe média.

JC – O seu último álbum (Paraquedas do Coração) foi lançado há dois anos. Você tem previsão de lançamento de um novo disco?
WW
– Já tenho todas as músicas para o disco novo prontas. Ele vai se chamar La canción inesperada e vai ser lançado pelo selo Fora da Lei e distribuído pela Unimar Music. Eu havia pensado em lançar o disco ainda este ano, mas veio a turnê com os Replicantes e o Acústico MTV Bandas Gaúchas que me tomaram muito tempo. Não dá para lançar dois projetos grandes de uma só vez. Depois pensei em lançar o disco em março do ano que vem, mas fui convidado para participar de um DVD em homenagem a Tom Capone. Aí o disco vai ficar na geladeira mais um pouco.

JC – Já que as músicas novas estão prontas, você vai cantar alguma no show?
WW
– Não sei ainda. O setlist não está pronto. Mas, de repente posso até cantar uma, dependendo do feeling do público.

JC – Você tem previsão de lançamento de um videoclipe novo?
WW –
Pretendo gravar ainda este ano dois ou três clipes do disco novo para que, quando ele seja lançado, os clipes já estejam prontos. Alunos de uma faculdade de cinema de São Paulo me procuraram interessados em fazer um clipe meu e eu achei ótimo. Geórgia Branco, a baixista que trabalha comigo, também faz umas coisas em vídeo e deve dirigir um dos clipes. Outro nome cotado é um webdesigner chamado Victor que está fazendo o meu site novo – que deverá ser lançado em setembro – e trabalha com cinema de animação.

JC – Ano passado você estreou um filme (O Cerro do Jarau, dirigido por Beto Souza) que, inclusive, foi exibido no Cine PE 2005 em primeira mão. Você pretende se aventurar outras vezes pelo caminho do cinema?
WW –
Nesse filme eu interpreto eu mesmo, canto umas músicas minhas em uma cena. No futuro, quero fazer mais cinema do que música, para ser sincero. Porque no cinema é possível inserir a música. E trabalhar só com música às vezes é muito cansativo. A gente se esforça, procura organizar um trabalho legal e faz um super show para 50 pessoas, sabe? Isso desestimula muito. Eu gosto muito de cinema e já fiz outros filmes, como Deu pra ti anos 70 (1981, Dir. Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil), um longa numa época em que quase ninguém fazia cinema, em que o vídeo não tinha essa popularidade que tem hoje.

JC – Você também escreve roteiros?
WW –
Sim. Estou fazendo o roteiro de um longa chamado O frentista. É um road movie, uma história de um músico que sai pela estrada. Provavelmente o protagonista será interpretado pelo músico gaúcho Jimmy Joe. Apesar de o roteiro ser meu, não quero dirigir o filme. Quero produzí-lo e fazer uma co-direção, uma coisa coletiva. No entanto, como o roteiro ainda não está pronto, não tenho previsão nem de quando darei início às filmagens. Mas tenho certeza de uma coisa: o filme será feito em digital porque é muito caro trabalhar com película aqui no Brasil.

 

Noite do punk brega, das barbies e dos playboys

Além do molho punk de Wander Wildner, Dez anos bebendo vinho também conta com o humor irônico das bandas pernambucanas The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals, que trazem algumas novidades para o público pernambucano.

Recém-chegadas de uma turnê de quinze dias em São Paulo, as Barbis apresentarão três músicas inéditas: Docialidade cientificista, Egolombragatinho (uma homenagem ao baterista da banda, Vicente) e Vivi é uma ninfomaníaca (brincadeira com a produtora da banda). As garotas também prometem performances luxuosas com os novos apetrechos importados diretamente da 25 de Março.

A banda The Playboys também não fica atrás no quesito novidade. Chico Buarque, uma grande sátira com o mestre da MPB, e Hino da alegria, um hino “evangélico”, são duas composições inéditas que serão apresentadas no show. A banda promete ainda outras novidades até o final do ano. Em comemoração aos dez anos de carreira, The Playboys lançarão uma caixa intitulada Dez anos pedindo mesada, contendo os CDs da banda (inclusive um inédito), DVDs de clipes (Paulo André não me ouve e Se não fosse o rock) e o documentário Rock na Tamarineira (dirigido por Maurício Targino, da Símio Filmes). (C.G.)

Dez anos bebendo vinho – Shows com Wander Wildner, The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals. Discotecagem de Roger de Renor. Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Hoje, a partir das 22h. Ingressos: R$ 7.

Com sotaque e atitude

Julho 8, 2008

Publicado em 29.07.2006

CONCEIÇÃO GAMA

A banda Clã, uma das mais importantes do rock português atual, fez seu primeiro show no Recife na última terça-feira, numa apresentação intimista no UK Pub. Na ocasião, o grupo concedeu uma entrevista ao Jornal do Commercio, na qual falou sobre a relação que tem com a música brasileira atual e as dificuldades de compor em português. Hoje, a Clã volta à cidade, para uma apresentação no Downtown Pub, a partir das 23h.

JORNAL DO COMMERCIO – Vocês ouvem música brasileira?
MANUELA AZEVEDO
Sim, ouvimos muita coisa, não só música atual, mas também coisas antigas, como Noel Rosa e Itamar Assumpção. Lá em Portugal a gente recebe muita música brasileira, tanto no rádio quanto na televisão. E nós da Clã somos grandes curiosos. Ouvimos tudo o que nos apresentam. Na primeira vez que viemos ao Brasil, em 1999, tivemos a oportunidade de conhecer o Arnaldo Antunes pessoalmente. Já conhecíamos o trabalho dele e, inclusive, já havíamos gravado H2omem, uma canção que ele nos enviou por fax assim que soube do nosso interesse em compor com ele. Arnaldo então nos deu uma lista de discos brasileiros que deveríamos ouvir. Coisas como Gilberto Gil e Jorge Ben estavam nela. Adoramos tudo.
JC – Vocês conhecem a música pernambucana?
MAConhecemos. A primeira coisa de Pernambuco que eu ouvi e que me causou grande impacto foi Chico Science e Nação Zumbi. A música deles realmente tocou meu coração. Mas, além dele, eu também ouço coisas como Mundo Livre S/A, Eddie e Mombojó.
JC – Vocês não têm guitarras, mas fazem rock’n’roll. Por que tirar a guitarra de uma banda de rock?
HÉLDER GONÇALVES
Na verdade nunca tiramos a guitarra, ela nunca existiu mesmo. (risos) O baixo que eu toco tem o som mais agudo que um baixo normal. É praticamente uma guitarra, só que com apenas quatro cordas.
JC – Mas vocês nunca procuraram um guitarrista?
HG
Não. Na verdade, fazer uma banda de rock sem guitarra não foi uma coisa que a gente pensou de propósito. Aconteceu naturalmente.
MAInclusive, o nosso primeiro CD, LusoQualquerCoisa, nem é tão rock’n’roll. Ele flerta bastante com o reggae.
JC – Então por que vocês resolveram mudar o estilo da banda?
MANão resolvemos mudar. As mudanças aconteceram de forma natural. A gente ouve muita coisa e gosta de muita coisa. Não temos problemas com mudanças. (risos)

JC – Vocês são naturais de Portugal, um país relativamente pequeno e muito próximo de outros países que falam línguas diferentes do português. No entanto, fazem questão de manter o idioma pátrio em suas composições. É difícil não se deixar contaminar?
MA
Pouca gente quer cantar em português, talvez por conta da relativa imposição do mercado internacional para que as músicas sejam cantadas em inglês. Em Portugal, nós tivemos um grande vazio cultural durante a ditadura de Salazar. As pessoas simplesmente deixaram de ouvir a música tradicional portuguesa e passaram a ouvir a música imposta pela indústria cultural. Coisas tradicionais como o fado, por exemplo, ficaram restritas a um número pequeno de ouvintes. No Brasil, pelo que observo, essa aculturação foi um tanto mais branda. Os brasileiros sempre procuraram resistir com a cultura popular. Nós resolvemos cantar em português justamente para preservar essa cultura de Portugal. Não é fácil trabalhar o nosso idioma para que ele soe bem musicalmente, mas fazemos questão de expressar nossos sentimentos com nossa língua materna.
JC – Como vocês se sentem tocando em um País que fala o mesmo idioma que vocês?
MA
É uma sensação de novo. É diferente de tocar na França ou na Espanha, onde as pessoas não falam a mesma língua que a gente. E é diferente de tocar em Portugal também porque lá, mesmo quando vamos a lugares distantes e onde nunca estivemos, as pessoas conhecem o nosso trabalho. Vendemos muitos discos e fazemos muitos shows em nosso país, temos a agenda sempre cheia. Aqui a recepção tem sido muito boa, apesar de as pessoas não conhecerem a nossa música. Os brasileiros são muito curiosos. E sabemos que aqui as pessoas, quando não gostam do que vêem, viram as costas e vão embora mesmo. Graças a Deus isso não aconteceu com a gente. (risos) Talvez as pessoas tenham interesse em conhecer nosso trabalho por conta das nossas parcerias com artistas brasileiros como Pato Fu e Arnaldo Antunes. Mas é fato que os brasileiros têm gostado do nosso som e têm nos recebido de forma bastante calorosa. E nós também adoramos tocar aqui.