Jardim Paulista sofre com falta de segurança

Julho 10, 2008 por conceicaogama

Publicado em 17.03.2006
Segundo moradores do bairro onde é realizado o Rádio do Povo esta semana, o serviço é deficitário e suscita muitos problemas

A falta de segurança é um dos maiores problemas enfrentados pela comunidade de Jardim Paulista. A fragilidade do policiamento, de acordo com as queixas freqüentes dos moradores, causa outros transtornos às pessoas, como a onda de assaltos que se instalou no local e as despesas extras com equipes de segurança privada que os moradores têm. Pelo menos isso foi o que constatou a equipe da Rádio Jornal (AM 780 MHz), que, durante esta semana, está com o projeto Rádio do Povo na comunidade. A série de ações sociais vai até hoje.
Há cerca de dois anos, o bairro do município de Paulista ganhou um Núcleo de Segurança Comunitária. A unidade servia para amenizar os problemas existentes na área de policiamento para a comunidade, como, por exemplo, contribuir para a redução dos níveis de criminalidade. Porém, segundo os moradores, isso não vem acontecendo. O núcleo foi desativado e, no lugar dele, entrou a 1ª Companhia do 17º Batalhão de Paulista, unidade de faz cobertura das áreas de Arthur Lundgren 1 e 2, Abreu e Lima, Paulista Centro, Caetés 1, Mirueira e o próprio bairro de Jardim Paulista. Os moradores alegam que os próprios policiais informam que a fragilidade do serviço prestado se dá, entre outros motivos, pela falta de viatura para que as rondas possam ser feitas.

Talvez devido a essa situação, a onda de insegurança tenha tomado conta do bairro. “Quando acontece qualquer tipo de ocorrência, seja à noite ou durante o dia, os policiais do núcleo só tomam conhecimento do fato mais tarde e, mesmo assim, sem transporte, não podem fazer muita coisa”, explica o vice-presidente da Associação dos Moradores de Jardim Paulista, Valdomiro Rodrigues. Ele mesmo já presenciou alguns assaltos na vizinhança e reside num dos pontos de ocorrência, entre as ruas 42 e 44, num cruzamento com a Avenida D. “Próximo à Padaria Santa Elizabete, há uma parada de ônibus, e são freqüentes os assaltos para quem desce do ponto de ônibus no local. Geralmente, os assaltantes estão de moto”, comenta.

O sentimento de insegurança levou os moradores a contribuir mensalmente com grupos de pessoas que prestam segurança privada, comprometendo em média R$ 12 por mês pelo serviço. Há casos de seguranças contratados apenas para escoltar pessoas vindas da escola ou do trabalho desde a parada do ônibus até em casa.

A Assessoria de Comunicação da Polícia Militar de Pernambuco informou que a 1ª Companhia dispõe de seis viaturas para todas as áreas mencionadas acima, mas que uma delas é dedicada exclusivamente a Jardim Paulista. Informou também que, além dessa estrutura, a comunidade conta também com o serviço da Companhia Independente de Policiamento com Motocicleta (Cipmoto) e do Batalhão da Radiopatrulha, ambos realizando rondas freqüentes na área. Os telefones que essas unidades disponibilizam para ocorrências e sugestões são: 3303-3831 e 3303-3835 (ambos do Comando do 17º Batalhão) e 3301-5680 (1ª Companhia do 17º Batalhão).

Moradores da Lagoa Encantada temem barreiras

Julho 10, 2008 por conceicaogama

Publicado em 17.02.2006
Algumas famílias tiveram casas destruídas, nos últimos três anos. Agora, os moradores se sentem ameaçados com a aproximação do inverno

Moradores da comunidade Lagoa Encantada, no Ibura, convivem com o perigo no quintal de casa. A ameaça de desabamento de barreiras que já cederam nos últimos três anos – invadindo as residências – aumenta o medo. O projeto Rádio do Povo esteve no local, esta semana, e verificou a situação: a comunidade pede solução definitiva à Prefeitura do Recife, que já realizou alguns reparos, que, para as famílias atingidas, são paliativos.

A construção de muros de arrimo e outras obras de proteção de encostas lideram a lista de prioridades dos que vivem na Lagoa Encantada. Nos últimos três anos, pelo menos oito barreiras desabaram, destruindo quatro casas. Outros 15 pontos de risco estão ameaçados de desmoronar. O quadro mais grave é o das ruas Dr. Benigno Jordão de Vasconcelos, Dr. Paulo de Biase e Empresário Ernesto Lundgren, onde algumas casas estão virando ruínas, cujos moradores foram removidos. Mesmo recebendo o auxílio-moradia da prefeitura, eles querem voltar a viver nas casas próprias.

Os moradores reclamam da atuação dos técnicos da Comissão de Defesa Civil do Recife (Codecir), que “não apresentam solução definitiva”. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores da Lagoa Encantada, Sílvio Lucena, o jogo do empurra entre os órgãos da prefeitura impede ações eficazes. “Fazem reuniões, vistorias e orçamento, mas nada muda”, conta. Na Rua Maria Cunha, Israel Nascimento lamenta o estado em que se encontra a residência da família e das casas vizinhas. Grande barreira, bastante castigada pela erosão, derrubou parte dos imóveis, há três anos, e os moradores foram retirados. Um desabamento ainda maior, contudo, pode ocorrer no inverno. “Vivemos de aluguel, mas queremos nossas casas, que estão sendo depredadas por vândalos. E ainda somos obrigados a pagar IPTU”, queixa-se. Na Rua Dr. Benigno Jordão, Sidney Barbosa está sem quintal, já que parte da barreira desabou no ano passado. “As casas da invasão acima jogam a queda d’água para cá, e estamos ameaçados”, salienta.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a Codecir monitora 186 pontos de risco no local, a fim de realizar medidas de emergência. A construção de muros de arrimo, no entanto, deve ser definida com a equipe do Orçamento Participativo. Em resposta aos moradores do auxílio-moradia, o órgão informa que as unidades de morro da zona norte estão sendo beneficiadas com reforma ou construções, sendo a zona sul beneficiada na próxima etapa. Nas próximas duas semanas não haverá o programa Rádio do Povo.

MTV mostra Lenine em versão fora das tomadas

Julho 9, 2008 por conceicaogama

Publicado em 27.08.2006

Especial Acústico MTV Lenine vai ao ar hoje, às 19h30, e traz o cantor pernambucano no especial de maior sucesso da emissora musical

Para quem é fã de MPB, uma excelente pedida é assistir ao primeiro Acústico MTV de um artista pernambucano, que vai ao ar hoje, às 19h30. A estrela escolhida pela emissora é o cantor e compositor Lenine. No repertório do especial, um belíssimo e emocionante passeio pela carreira de Lenine, com uma seleção de 11 músicas como Hoje eu quero sair só, O homem dos olhos de raio X, Paciência, Jacksoul brasileiro e Dois olhos negros. Serão apresentadas, ainda, três canções inéditas: Atirador, Miedo e Santana.

O show também conta com grandes participações especiais, como a do maestro Ruriá Duprat, a do ex-baterista do Sepultura, Iggor Cavalera, e a da harpista Cristina Braga. Participam ainda, a mexicana Julieta Venegas no acordeom, Victor Astorga com corne inglês e oboé, o camaronês Richard Boná no baixo acústico e o rapper Gog.

Pouco antes da exibição do Acústico, às 19h, a MTV apresenta o making-of do especial, com cenas que vão desde os ensaios no Rio de Janeiro, quando Lenine começou a acertar os arranjos e a definir repertório, até o último dia de gravação, além de entrevistas com todos os convidados e a banda. Lenine também fala sobre a escolha das músicas e a relação com o maestro Ruriá Duprat. O Acústico, dirigido por Romi Atarashi, foi gravado nos dias 24 e 25 de junho, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

O CD Acústico é o sétimo da carreira de Lenine e deve chegar às lojas ainda esta semana. O público, no entanto, vai precisar esperar mais um pouco para conferir o DVD, que tem previsão de lançamento para setembro.

Entre os nomes grandes nomes da música que já gravaram composições de Lenine estão Maria Bethânia, Maria Rita, Zizi Possi, Fernanda Abreu e O Rappa.

HISTÓRICO – Este é o 27º acústico produzido pela Music Television brasileira. Entre os que já vivenciaram o especial estão Gal Costa, Gilberto Gil, Kid Abelha, Charlie Brown Jr. e O Rappa.

Além de prestigiar bandas e cantores, o acústico MTV também foi responsável por reavivar carreiras que amargavam o esquecimento do público, como as das bandas Ira!, Capital Inicial e Titãs. Com o CD do especial, esses grupos alcançaram vendas superiores a 1 milhão de cópias.

Concurso vai premiar frevo com R$ 30 mil

Julho 9, 2008 por conceicaogama

Publicado em 23.08.2006

 

Em comemoração ao centenário do frevo, a Prefeitura do Recife vai pagar premiação gorda
CONCEIÇÃO GAMA

O prefeito do Recife, João Paulo, anunciou ontem as modificações para o Concurso de Música Carnavalesca Pernambucana 2006/2007, realizado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, através da Secretaria de Cultura. A principal novidade diz respeito à premiação dos vencedores, que receberão até R$ 30 mil em dinheiro.

 

As premiações serão divididas em cinco categorias: frevo de bloco, frevo de rua, frevo canção, caboclinho e maracatu. O prêmio de R$ 30 mil vai para o primeiro lugar de cada categoria. O segundo lugar ganha R$ 10 mil e o terceiro, R$ 5 mil. Há premiações, ainda, para os melhores arranjadores e intérpretes, que ganharão R$ 5 mil cada. No último concurso, as premiações em dinheiro eram simbólicas. O melhor compositor, por exemplo, ganhava R$ 500.

Segundo João Paulo, as mudanças foram impulsionadas, sobretudo, pelas comemorações do centenário do frevo, que acontece no próximo ano. “2007 será um ano muito especial em nossa cidade. Sempre achei que a premiação do concurso deveria melhorar. Nada mais oportuno do que esta data para pôr as mudanças em prática e valorizar ainda mais essa manifestação da cultura pernambucana que é o frevo”, afirmou.

O concurso, que tem âmbito nacional, é composto por um festival com apresentações ao vivo e pela gravação de um CD. Uma comissão julgadora composta por cinco membros selecionará 30 músicas que serão apresentadas no festival, marcado para os dias 24 e 25 de novembro. Nessa fase serão escolhidas as 15 músicas que farão parte do CD, que tem prensagem prevista para dezembro. O lançamento do álbum, juntamente com a premiação dos vencedores, será realizada no início de fevereiro de 2007.

As músicas inscritas no concurso deverão ser, obrigatoriamente, inéditas. Os interessados em participar podem inscrever seus trabalhos até o dia 22 de setembro na Gerência de Música da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, na Casa do Carnaval ou no Teatro do Parque. Os compositores residentes em outros estados deverão enviar material por Sedex para a Gerência Operacional de Música, situada na Av. Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife, Recife, Pernambuco, CEP: 50.030-903.

 

 

 

 

 

Noite para extravasar de maneira inesquecível com Wander Wildner

Julho 9, 2008 por conceicaogama

Publicado em 21.08.2006

A junção do punk com o brega, no show de Wander Wildner com pitadas de humor de The Playboys e Barbis Vocals, resultou em mistura democrática

CONCEIÇÃO GAMA

A festa 10 anos bebendo vinho, realizada na última sexta-feira no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, foi um verdadeiro retrato do ecletismo brasileiro. A junção do punk com o brega, encabeçada pelo show de Wander Wildner, com as pitadas de humor das bandas The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals resultaram numa mistura para lá de democrática. Na platéia, além dos já esperados punks e mescs, havia também hippies, góticos, patricinhas, entre outros.

As Barbis abriram a festa à 1h40 da manhã. Pareceu que os músicos haviam ido assistir ao show de Alceu Valença no Marco Zero e se esqueceram de que tinham o compromisso de tocar naquela noite. Originalmente, a festa estava marcada para as 22h. Muita gente cansou de esperar e foi embora. Apesar da demora, quando as meninas subiram ao palco, com seus vocais estridentes e desafinados, suas letras escrachadas e acessórios para lá de extravagantes, não houve quem ficasse parado. Além do repertório habitual que inclui canções como Socialize seu namorado e Priscila alma sebosa, e cover de Geórgia, a carniceira, da Ave Sangria, as garotas também cantaram clássicos como Maneiras, de Chico da Silva (aquela que diz “Se eu quiser fumar eu fumo / se eu quiser bebo”) e o bolero Quizas, quizas, quizas. Show divertido e superdançante.

Depois das Barbis, entraram em cena os Playboys. Os habituais terninhos, óculos escuros e instrumentos de brinquedo emolduraram o que foi um show verdadeiramente instigante. Os meninos têm carisma e presença de palco de sobra. As músicas, ora punk ora flertando com o rockabilly, com letras engraçadíssimas que retratam o cotidiano do Recife, animaram a eclética platéia. Destaque para a música nova Chico Buarque, além das antigas Gatinhas culturais do Burburinho e Paulo André não me ouve.

A grande estrela da noite, o gaúcho Wander Wildner, subiu ao palco por volta das 3 horas da manhã. Mais da metade da platéia já havia ido embora, mas os poucos que restaram souberam aproveitar o som do punk brega. Usando óculos de lentes vermelhas e apenas com um violão nas mãos, com luzes vermelhas no palco que que conferiram ao show um clima de cabaré, Wildner entoou sucessos de sua carreira, como Amigo punk e Quase um alcóolatra. O público cantou junto todas as músicas, com direito a bracinhos levantados balançando para um lado e para o outro. Mais brega impossível.

Na segunda metade do show, os músicos da The Playboys subiram ao palco para acompanhar o vocalista da Replicantes. Nessa parte da apresentação, o lado brega foi um pouco esquecido, dando lugar à veia punk latente de Wildner. Rato de porão abriu a seqüência punk e uma roda de pogo se formou na minguada e bêbada platéia. Depois de executar Lugar do caralho, de Júpiter Maçã, Wildner voltou à seqüência brega com um cover de – pasme – Sugar, sugar, da Archies, e a já esperada Mon Amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi.

A festa terminou num clima total de paz e amor. Além dos que os mais que clássicos bêbados abraçados e chorando, também casais altamente inesperados, como um formado por um punk e uma patricinha e outro por dois homens. Se não fosse o azar de ter caído no mesmo dia da gravação do DVD de Alceu Valença, provavelmente o evento seria um sucesso total pois, apesar do suposto preconceito, as mais diversas tribos se reuniram para dar vazão ao seu lado brega – e basfond – de ser.

Nova coordenadoria da AMP toma posse em cerimônia hoje à noite

Julho 8, 2008 por conceicaogama

Publicado em 02.08.2006

Gestão pretende articular os associados do órgão para que ele funcione de forma mais coletiva

CONCEIÇÃO GAMA

A nova coordenadoria da Articulação Musical Pernambucana toma posse hoje, numa cerimônia realizada no no Teatro Maurício de Nassau, a partir das 19h. Para comemorar a nova gestão da AMP, haverá pocket shows dos cantores Publius (Azabumba), Almir de Oliveira (Ex-Ave Sangria), Alex Mono, Geraldo Maia, Izidro, Zeh Rocha, Fred Bonato, Guga Oliveira e Márcio Soares (Estuário). O evento é aberto ao público e tem entrada franca.

Fazem parte da nova coordenação os artistas Izidro (coordenador-geral), Geraldo Maia (coordenador executivo), Virgínia Brasil (coordenadora administrativa), Fred Bonato (coordenador de finanças) e Zeh Rocha (coordenador de projetos). Os músicos Ciará, André Simquevitz, André Franck, Climério, Cláudio Negrão, Kid e Guga Oliveira ficaram na suplência do órgão. A chapa foi eleita em uma aclamação numa assembléia geral da entidade no último dia 7 de junho. A nova coordenadoria permanece no cargo por dois anos.

Segundo Izidro, quando a chapa foi formada, a idéia era articular pessoas que já participavam ativamente da AMP e somar forças para atingir os objetivos dos músicos. “Pretendemos dar continuidade a uma série de ações promovidas pela gestão anterior, mas fazê-las de uma forma mais coletiva, participativa”, conta.

De acordo com ele, fortalecer projetos como o Pré-AMP, evento musical que antecede a semana carnavalesca com apresentações de diversos artistas do país, também faz parte da proposta da chapa. “Muitas das ações da AMP aparecem hoje de forma tímida. Queremos que essas ações tenham mais relevância”, explica. Formação e reciclagem dos músicos, com discussões e seminários de âmbito regional e nacional, e promoção de oficinas de produção e técnica de som para os associados também são ações previstas pela nova gestão.

Izidro afirma ainda que uma das principais preocupações da chapa é fazer com que qualquer associado seja capaz de elaborar com segurança um projeto cultural e de lidar com as instâncias do poder público para que os projetos tenham chances de serem aprovados. “Às vezes o artista é bom, mas ele não sabe lidar com a burocracia existente nas instâncias públicas para conseguir apoio para seu trabalho”, afirma.

AMP – A Articulação Musical Pernambucana surgiu com o intuito de estudar, divulgar, defender e promover a música de Pernambuco. Além do Pré-AMP, são também ações da AMP o Palco Escola, projeto de inclusão social para formação de novos músicos dirigido para jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social, e o Circuito Ampliado, projeto de difusão e circulação da música local.

Posse na nova coordenadora da Articulação Musical Pernambucana. Hoje, às 19h, no Teatro Maurício de Nassau (Rua Vigário Tenório, Recife Antigo). Entrada franca.

Um pouco de molho brega no punk

Julho 8, 2008 por conceicaogama

Publicado em 18.08.2006

CONCEIÇÃO GAMA

O cantor e compositor gaúcho Wander Wildner é quase um pernambucano honorário. Ele volta a Pernambuco para um show na festa Dez anos bebendo vinho, que será realizada hoje, a partir das 22h, no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Wander apresenta, na ocasião, um show mais brega que o de costume, com direito a covers de Eu tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, e Mon amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi. Na quarta-feira, o vocalista dos lendários Replicantes concedeu uma entrevista ao Jornal do Commercio, em que falou sobre o show, a sua relação com o Recife e demais cidades nordestinas, seus projetos e o desejo de dar vazão maior ao seu lado cineasta.

JORNAL DO COMMERCIO – Como será o show no Eufrásio Barbosa? Você está reservando alguma surpresa?
WANDER WILDNER
– O show vai ter um repertório mais brega que o de costume. Vou deixar de lado as músicas mais punks e investir nas mais românticas. O repertório ainda não está totalmente definido, mas canções como Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo e Quase um alcóolatra certamente devem fazer parte dele. Também devo fazer um cover de Tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, e de Mon amour, meu bem, ma femme, de Reginaldo Rossi.

JC – A idéia de fazer esse show mais brega partiu de você ou foi um pedido do público?
WW
– A idéia foi minha. Já fiz esse show brega em São Paulo e deu certo. Para mim, a música brega é a maior manifestação cultural brasileira porque atinge todos os cantos do país e todas as classes sociais. No meu show, quando canto Dormi na praça, de Bruno e Marrone, por exemplo, todo mundo canta junto. Ponho um molho punk e o meu público gosta do resultado. Acho isso superinteressante porque a música sertaneja muitas vezes é hostilizada pela classe média.

JC – O seu último álbum (Paraquedas do Coração) foi lançado há dois anos. Você tem previsão de lançamento de um novo disco?
WW
– Já tenho todas as músicas para o disco novo prontas. Ele vai se chamar La canción inesperada e vai ser lançado pelo selo Fora da Lei e distribuído pela Unimar Music. Eu havia pensado em lançar o disco ainda este ano, mas veio a turnê com os Replicantes e o Acústico MTV Bandas Gaúchas que me tomaram muito tempo. Não dá para lançar dois projetos grandes de uma só vez. Depois pensei em lançar o disco em março do ano que vem, mas fui convidado para participar de um DVD em homenagem a Tom Capone. Aí o disco vai ficar na geladeira mais um pouco.

JC – Já que as músicas novas estão prontas, você vai cantar alguma no show?
WW
– Não sei ainda. O setlist não está pronto. Mas, de repente posso até cantar uma, dependendo do feeling do público.

JC – Você tem previsão de lançamento de um videoclipe novo?
WW –
Pretendo gravar ainda este ano dois ou três clipes do disco novo para que, quando ele seja lançado, os clipes já estejam prontos. Alunos de uma faculdade de cinema de São Paulo me procuraram interessados em fazer um clipe meu e eu achei ótimo. Geórgia Branco, a baixista que trabalha comigo, também faz umas coisas em vídeo e deve dirigir um dos clipes. Outro nome cotado é um webdesigner chamado Victor que está fazendo o meu site novo – que deverá ser lançado em setembro – e trabalha com cinema de animação.

JC – Ano passado você estreou um filme (O Cerro do Jarau, dirigido por Beto Souza) que, inclusive, foi exibido no Cine PE 2005 em primeira mão. Você pretende se aventurar outras vezes pelo caminho do cinema?
WW –
Nesse filme eu interpreto eu mesmo, canto umas músicas minhas em uma cena. No futuro, quero fazer mais cinema do que música, para ser sincero. Porque no cinema é possível inserir a música. E trabalhar só com música às vezes é muito cansativo. A gente se esforça, procura organizar um trabalho legal e faz um super show para 50 pessoas, sabe? Isso desestimula muito. Eu gosto muito de cinema e já fiz outros filmes, como Deu pra ti anos 70 (1981, Dir. Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil), um longa numa época em que quase ninguém fazia cinema, em que o vídeo não tinha essa popularidade que tem hoje.

JC – Você também escreve roteiros?
WW –
Sim. Estou fazendo o roteiro de um longa chamado O frentista. É um road movie, uma história de um músico que sai pela estrada. Provavelmente o protagonista será interpretado pelo músico gaúcho Jimmy Joe. Apesar de o roteiro ser meu, não quero dirigir o filme. Quero produzí-lo e fazer uma co-direção, uma coisa coletiva. No entanto, como o roteiro ainda não está pronto, não tenho previsão nem de quando darei início às filmagens. Mas tenho certeza de uma coisa: o filme será feito em digital porque é muito caro trabalhar com película aqui no Brasil.

 

Noite do punk brega, das barbies e dos playboys

Além do molho punk de Wander Wildner, Dez anos bebendo vinho também conta com o humor irônico das bandas pernambucanas The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals, que trazem algumas novidades para o público pernambucano.

Recém-chegadas de uma turnê de quinze dias em São Paulo, as Barbis apresentarão três músicas inéditas: Docialidade cientificista, Egolombragatinho (uma homenagem ao baterista da banda, Vicente) e Vivi é uma ninfomaníaca (brincadeira com a produtora da banda). As garotas também prometem performances luxuosas com os novos apetrechos importados diretamente da 25 de Março.

A banda The Playboys também não fica atrás no quesito novidade. Chico Buarque, uma grande sátira com o mestre da MPB, e Hino da alegria, um hino “evangélico”, são duas composições inéditas que serão apresentadas no show. A banda promete ainda outras novidades até o final do ano. Em comemoração aos dez anos de carreira, The Playboys lançarão uma caixa intitulada Dez anos pedindo mesada, contendo os CDs da banda (inclusive um inédito), DVDs de clipes (Paulo André não me ouve e Se não fosse o rock) e o documentário Rock na Tamarineira (dirigido por Maurício Targino, da Símio Filmes). (C.G.)

Dez anos bebendo vinho – Shows com Wander Wildner, The Playboys e Backing Ballcats Barbis Vocals. Discotecagem de Roger de Renor. Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. Hoje, a partir das 22h. Ingressos: R$ 7.

Caixa Cultural Recife já tem sede

Julho 8, 2008 por conceicaogama

Publicado em 15.08.2006

Representantes do banco federal assinaram ontem a compra do prédio da Bolsa de Valores

CONCEIÇÃO GAMA

Foi assinada ontem, em cerimônia oficial, a compra do prédio da Bolsa de Valores de Pernambuco e Paraíba, localizado no Recife Antigo, pela Caixa Econômica Federal. O intuito da aquisição do prédio é a instalação da Caixa Cultural Recife, um espaço que prevê atividades artísticas como teatro, música, dança, fotografia, mostras de cinema e artes plásticas, sendo o processo de seleção feito por meio de edital público. Além dessas atividades, no local, a Caixa promoverá exposição de seu acervo de obras de arte, composto por trabalhos de artistas renomados. Mais de R$ 10 milhões serão investidos no espaço.

O centro ainda não tem data definida para ser inaugurado. O prédio da Bolsa de Valores precisa ser reformado antes de abrigar o projeto. O edital de licitação para contratação de empresa de arquitetura ou engenharia responsável pela elaboração do projeto executivo da Caixa Cultural Recife está disponível no site do banco (www.caixa.gov.br).

Na solenidade, houve também a assinatura dos contratos de patrocínio referentes à segunda edição do Programa caixa de adoção de entidades culturais pela presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, e pelo superintendente regional da Caixa no Recife, Alex Norat.

Em Pernambuco, há dois projetos contemplados: Restauração da Coleção Armorial, do Centro Cultural Benfica e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco, e Preservação e Acesso à coleção de cartografia – 1ª Etapa, do Museu da Cidade do Recife e da Associação dos Amigos do Museu. As instituições culturais selecionadas serão patrocinadas pelo período de um ano.

Restauração da Coleção Armorial prevê a restauração de 74 obras de arte que compõem o acervo Armorial do Centro Cultural Benfica da Universidade Federal de Pernambuco. A coleção foi montada por Ariano Suassuna, quando era diretor do antigo Departamento de Extensão Cultural da Universidade. O acervo possui obras de importantes artistas como Francisco Brennand, Gilvan Samico, Miguel dos Santos, Arnaldo Barbosa e Fernando Lopes.

Já o projeto Preservação e acesso à coleção de cartografia – 1ª etapa consiste na catalogação e limpeza do mais importante acervo iconográfico da cidade, composto por 1.600 plantas e mapas do Recife, datados do final do século 19 e início do século 20.

A Caixa já possui espaços culturais nas cidades de Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Além do Recife, dois novos espaços estão sendo construídos em Fortaleza e Porto Alegre.

Conselho de Cultura faz bela homenagem a Alex

Julho 8, 2008 por conceicaogama

Publicado em 09.08.2006

Cronista do JC completou 80 anos no último sábado e tem recebido inúmeras homenagens

CONCEIÇÃO GAMA

O jornalista José de Souza Alencar, o Alex, recebeu ontem uma homenagem do Conselho Estadual de Cultura, pela passagem do seu aniversário de 80 anos. Na ocasião, estiveram presentes, além dos membros do Conselho, acadêmicos, escritores, artistas, políticos e amigos de Alex.

O poeta Marcus Acioly fez as honras da casa contando como foi difícil convencer Alex a aceitar a homenagem. “Passamos um sufoco porque Alex me ligou dizendo que não vinha e eu não podia fazer essa desfeita com os convidados. Então liguei para a redação do Jornal do Commercio e inventei que havia uma votação e a presença de Alex era imprescindível”, contou. “Alex dá menos importância para si mesmo do que o resto da população do Estado dá. Ele sempre se esconde em seu aniversário e foge de homenagens”, frisou.

Depois da apresentação, os membros do Conselho e amigos de Alex falaram da importância do colunista para a cultura de Pernambuco e para suas carreiras. “Lendo a coluna de Alex, é possível conhecer detalhes e peculiaridades da sociedade pernambucana, já que ele é uma espécie de antropólogo de campo do Estado”, explicou Geraldo Pereira, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco. O pintor João Câmara Filho concorda. “Alex tem uma imagem impossível de ser dissociada da cultura pernambucana”, afirmou.

O cantor e compositor Getúlio Cavalcanti frisou a importância de Alex para muitos artistas pernambucanos. “A primeira chance que tive de aparece como cantor foi no programa de Alex na TV. Devo muito a esse grande colunista social, assim como muita gente que está aqui”, destacou.

“Aos 80 anos as lágrimas são fáceis. A partir de agora, todo dia tem importância única para ficar com as pessoas de que eu gosto. É muito bom ser lembrado por gente tão querida”, contou Alex, emocionado, ao final da homenagem.

Pernambuco onipresente em Natal

Julho 8, 2008 por conceicaogama

Publicado em 08.08.2006

Em seu segundo ano, o festival DoSol abriu espaço para a produção musical independente

CONCEIÇÃO GAMA

A segunda edição do Festival DoSol, realizada no último fim-de-semana (da sexta ao último domingo), mostrou que o evento tem potencial para se tornar um dos maiores do gênero no País. Em três dias, cerca de 9 mil pessoas compareceram ao Largo da Rua do Chile, em Natal, para prestigiar o trabalho de 38 bandas independentes vindas de 11 estados diferentes, sendo seis grupos pernambucanos: Parafusa, Bonsucesso, Carfax, Astronautas e Devotos. O grande destaque do festival ficou por conta dos pernambucanos da Devotos, que fizeram um show magistral no último dia do evento.

Quando Canibal e companhia subiram ao palco, parecia que um furacão havia tomado conta do festival DoSol. Formou-se uma roda de pogo gigante – coisa rara em Natal – e quem ficou de fora também se sentiu tentado a entrar. O bom e velho “punk rock hardcore lá do Alto José do Pinho” mostrou que ficou ainda melhor depois de dez anos de estrada. Enquanto Canibal gritava “vamos arrodear, arrodear, arrodear!”, o público potiguar entrava em êxtase.

Outro destaque do evento ficou por conta dos potiguares da Poetas Elétricos, que abriram o festival. O som da banda, como sugere o seu nome, é uma mistura de poesia com música eletrônica. Letras que poderiam perfeitamente pertencer a Tom Zé ou a Arnaldo Antunes se encaixam no som barulhento e perturbador da banda, que transforma qualquer ruído em música. A performance do grupo engloba computadores em cena, indumentárias hight-tech e um telão com imagens urbanas redesenhadas em pop-art. O show foi um grande pastiche pós-moderno muito bonito de se ver.

FÃS – A Mundo Livre S/A, que fechou o primeiro dia do evento, fez um show dançante e contagiante. E quem disse que Fred 04 não arrastava grandes multidões fora do Recife se enganou. O público potiguar tinha todas as músicas na ponta da língua e, mesmo com a maratona cansativa de muitas bandas se apresentando em um único dia, ficou até o final para prestigiar a apresentação, uma retrospectiva de carreira.

A Carfax, que se apresentou no segundo dia do festival, também fez um show correto e contagiante. O repertório da banda foi todo composto por músicas do primeiro disco da banda, O gosto antigo da novidade. Os vocais poderosos de Iana Beckman não precisaram de covers para cativar o público. A banda mostrou que tem potencial e conquistou a platéia.

Os paraibanos da Dead Nomads fizeram um dos shows mais legais do último dia do festival. A banda tocou seu punk rock autoral, com destaque para 1945 e Resposta, músicas cantadas em coro pela platéia. A banda fez ainda um cover de Blitzkrieg bop, dos Ramones, e uma versão hardcore de Bigmouth strikes again, dos Smiths, que levaram o público ao êxtase absoluto.

O festival DoSol cumpriu bem o papel de mostrar a cena independente brasileira, sobretudo a nordestina. Ele foi o retrato de que, para se fazer música boa neste País, não é necessário MTV e nem FM, apenas técnica, criatividade e carisma.